16.11.16

AMEAÇA DE TRUMP AO MEIO AMBIENTE NÃO DEVE IR MUITO ALÉM DE BRAVATA

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Tenho feito alguma análises relativas à vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas, sempre baseado em fatos. Agora me permito recorrer a meros insights. É sobre a questão do clima, a respeito de que declarações do presidente eleito deixaram exasperados ambientalistas do mundo inteiro. Bom, vai aqui meu palpite: Truman será um presidente muito melhor para o meio-ambiente mundial do que Obama. Nada o obriga a cumprir bravatas de campanha.

Note-se que Obama, com seu jeito de ajudante de missa, foi um péssimo executor de políticas ambientais limpas. Na verdade, ele teve até algumas boas intenções no início de seu primeiro governo mas logo capitulou ao lobby do carvão e, principalmente, do fracking. Como se sabe, não há nada mais terrível para o meio ambiente do que essa técnica de extração do óleo de xisto. Suja o ambiente, inviabiliza milhares de quilômetros quadrados de terra para a agricultura, envenena a água.

O fracking é um crime contra a humanidade estimulada por Obama por razões geopolíticas. Foi extraindo petróleo dessa forma que os Estados Unidos empreenderam a estratégia de enfraquecer economicamente grandes produtores de petróleo como Rússia, Venezuela, Irã e, em perspectiva, Brasil. O preço do petróleo foi empurrado para uma baixa histórica, enquanto seu concorrente carvão continuava, a despeito de seus danos ambientais, livre de qualquer taxa que contribuísse para limitar seu consumo.

Agora vejamos a frase de Trump que mais escandalizou o mundo. Disse ele algo assim: “o aquecimento global foi uma invenção dos chineses para impedir o crescimento americano”. Examinemos isso de perto: alguém de sã consciência pode concluir que Trump disse isso a sério? São duas frases, ambas igualmente improváveis em seu conteúdo: primeiro, que os chineses inventaram o aquecimento global; segundo, que o propósito dessa invenção é estancar o crescimento americano.

Uma avaliação dessa verdadeira patacoada pode ser feita de uma forma mais realista quando se ouve a declaração oral. Ali não há dúvida. Trump estava fazendo claramente uma bravata com propósito de levar seus ouvintes às gargalhadas. É tão implausível sua declaração que só a ultra-sensibilidade de ambientalistas militantes pode transformá-la numa verdadeira ameaça. É possível que ele fale menos de ambientalismo do que Obama. Igualmente possível, dado seu caráter pragmático, é que faça mais.