19.11.16

CADÊ O DINHEIRO QUE ESTAVA AQUI?

RUMBA GABRIEL -


Já vai tempo em que brincávamos de esconde, esconde. Hoje infelizmente não cabe mais. Até porque em se tratando de governo não cabe brincadeira.

É mais um caso triste. Por isso o preâmbulo com um tom mais relaxado.

Em 2013, a Associação de Moradores da favela do Jacarezinho, participou da assinatura para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na oportunidade nos parecia que também para acelerar foram contempladas duas favelas e um Complexo. São elas: Rocinha com 1.200.000.00, Jacarezinho, 609.000.000.00 e Complexo do Lins, 280.000.000.00. Festas nas favelas? Nada! Os recursos simplesmente desapareceram. As favelas ficaram mais uma vez a verem navios.

Ao observar o pacote da maldade, vimos serem prejudicados os pobres, os favelados. Este sumiço de recursos atingiu em cheio milhares de moradores da favela do Jacarezinho, isto porque foram cadastradas mais de duas mil pessoas que perderam suas casas na promessa de que seriam contempladas com novas residências construídas através do PAC. Algumas dessas casas eram palafitas ribeirinhas aos Rios Jacaré e Salgado seu afluente. Descrevo com muita propriedade, pois eu era o presidente da Associação dos Moradores na época.

Esses moradores começaram a receber o aluguel social. A esperança de novas moradias era total. Ministrei algumas reuniões onde a Coordenação do PAC exibia o projeto original com as suas maquetes. Todos felizes vibravam. Já dizia o ditado: “Alegria de pobre dura pouco”. Nada de PAC, nada de projeto e o pior, nada de aluguel social.

Com as informações que estamos recebendo após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, tomamos conhecimento de que os recursos do PAC foram também utilizados para as mordomias deste grupo de suspeitos presos no Rio de Janeiro.
Os favelados perguntam quando terá fim os seus sofrimentos, principalmente os provenientes desses desmandos?

Este é apenas um dos motivos pelo qual a violência não diminui. Pelo contrário, só aumenta porque esses fatos provocam misérias e flagelos de um lado, enquanto que do outro, vimos às regalias, ostentações, mordomias e outras sodomias quaisquer.

Desta forma não dá pra ser feliz, pois os sonhos dos negros, pobres, favelados continuam ainda dentro dos Tumbeiros e Senzalas. Enquanto isso, os Zumbis e Dandaras atuais, continuam resistentes com a finalidade de transformar esses históricos setores em definitivos Quilombos. O sonho não morreu, até porque, o dia da Nacional da Consciência Negra está batendo na porta dos barracos da Cidade Maravilhosa.