22.11.16

ESPETÁCULO GROTESCO NO CDES DE UM MAQUIAVEL DE BOTEQUIM

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social montado pelo Governo já era ruim nas épocas de Lula e Dilma. Agora tornou-se uma caricatura ridícula de si mesmo. A reunião de ontem parecia um espetáculo de circo mambembe. A sociedade brasileira teve que ouvir, sob aplausos, um débil mental estimular Temer a aproveitar sua falta de popularidade para fazer todo o mal possível imediatamente, “sem medo de perder popularidade”. Nunca se pode esperar muito do Governo Temer. Mas esse besteirol, realmente, é demais!

O Maquiavel de botequim de terceira, com um discurso inflamado, fez jus à maioria dos presentes, quase todos empresários ou profissionais de propaganda e marketing. São os oportunistas de sempre que cercam toda oportunidade de bajular o poder para tirar dele algum proveito pessoal. Temer, o ilegítimo, fez um discurso à altura. Além de defendera PEC da Morte, anunciou a aceleração da iniciativa para reformar a Previdência ainda este ano, obedecendo talvez à própria determinação de fazer o mal logo.

Ele devia se dar conta que o Maquiavel verdadeiro, que recomendava ao príncipe fazer o bem aos poucos e o mal de uma vez, referia-se a um monarca absoluto que tinha o poder por herança ou pela espada. Não é bem o caso de Temer, que tem o poder pela via de um golpe antipopular de cujas consequências só agora a sociedade brasileira está tomando conhecimento real. Se mantiver o curso que vem mantendo até aqui, é ele quem vai ser varrido do poder de uma vez por todas, no rastro da corrupção agora exibida por seu amigo e serviçal Geddel Vieira.

O débil mental que falou no CDES, junto com outros 13 bajuladores, talvez não se deu conta de que estamos caminhando celeremente para uma guerra civil na medida da radicalização de direita assumida pelo atual Governo. De fato, Temer está tirando dos progressistas qualquer espaço de manobra democrática no plano real. A democracia formal não suporta isso por muito tempo. Na medida do aprofundamento do conflito, este governante de araque acabará expulso do Planalto a pontapés, como aconteceu com cinco presidentes argentinos depois de Menem, todos apoiados do poder em nada menos que dez dias, e todos iludidos pela ânsia de governar sem povo.