18.11.16

FRENTISTAS VÃO EXIGIR DA ANP MAIS FISCALIZAÇÃO CONTRA ADULTERAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS

Via SINPOSPETRO-RJ -

Álcool adulterado em postos de combustíveis do RJ põe em risco a vida dos frentistas. Durante fiscalização ANP constatou mistura de metanol ao etanol hidratado.

Eusébio Pinto Neto, dirigente sindical da Fenepospetro e do Sinpospetro-RJ.
A luta dos Sindicatos dos Frentistas de todo o país para conscientizar os trabalhadores e reduzir os riscos de contaminação por produtos tóxicos nos postos de combustíveis está ameaçada pela ganância das empresas que comercializam álcool, gasolina e diesel.

Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) detectou a mistura de metanol no etanol hidratado comercializado em postos de combustíveis da BR, Ipiranga e Shell, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. Preocupada com a exposição dos trabalhadores ao produto nocivo à saúde, a Federação Nacional dos Frentistas (FENEPOSPETRO) encaminhou, nesta quinta-feira(17), à ANP ofício solicitando informações sobre a operação que constatou ilegalidade no etanol comercializado no Estado do Rio de Janeiro.

O presidente da FENEPOSPETRO e também do SINPOSPETRO-RJ, Eusébio Pinto Neto, teme, que a ilegalidade constatada no Rio de Janeiro não seja um fato isolado, e que a venda irregular de etanol hidratado misturado ao metanol tenha uma proporção maior no país. Segundo ele, a reunião com representantes da ANP tem por objetivo cobrar uma posição da agência com relação as empresas envolvidas na irregularidade e exigir maior fiscalização nas distribuidoras e postos de revenda de combustíveis.

_ “ Quem garante que essa prática ilegal não é aplicada em vários Estados para aumentar os ganhos das empresas”?

O metanol é um produto tóxico, proibido para a mistura em combustível. Ao contrário do benzeno contido na gasolina, que também é altamente tóxico, o metanol é absorvido mais rápido pelo organismo. Um simples contato do metanol, contido no etanol hidratado, com a pele pode provocar intoxicação. O envenenamento pelo produto pode causar dor de cabeça, náusea, vômito, cegueira, coma e até a morte. O risco depende do contado, da quantidade inalada ou ingerida.

A ANP detectou a ilegalidade através de um programa de monitoramento de qualidade. As amostras de combustíveis coletadas no local estão sendo analisadas em laboratório. As empresas distribuidoras se isentaram de qualquer envolvimento na ilegalidade e apontaram uma usina de Campos de Goytacazes como a responsável pelo problema.

Para o presidente da FENEPOSPETRO a questão é muito mais complexa e será acompanhada de perto por todos os sindicatos da categoria no país. Eusébio Neto diz que é inadmissível que a vida do trabalhador seja colocada em risco por causa da ambição de alguns empresários.

INTERDIÇÃO

A usina de etanol Canabrava, apontada pelas empresas distribuidoras de combustível por comercializar álcool adulterado, continua interditada pela ANP. Os agentes encontraram, ao todo, 16 milhões de litros de combustível adulterado nos tanques. A empresa de Campos de Goytacazes, no Norte do Estado, está proibida de vender etanol, até que o processo seja concluído.

Os postos de combustíveis, onde foram detectados a mistura de metanol com álcool, continuam com as bombas de etanol lacradas. As empresas já substituíram o produto, mas o etanol só será liberado para comercialização, após análise da ANP.

As empresas foram autuadas e estão sujeitas a multa que varia de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.

RISCO O metanol já foi empregado temporariamente como combustível no Brasil, na década de 70, mas seu uso para esta finalidade foi extinto devido à sua ação corrosiva e efeitos tóxicos.

DENÚNCIA

As denúncias de irregularidades no mercado de combustíveis podem ser feitas pelo telefone 0800 970 0267 ou pela página da ANP na internet: http://www.anp.gov.br/wwwanp/fale-conosco

*Estefania de Castro, assessoria de imprensa Sinpospetro-RJ.