17.12.16

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DO RIO DE JANEIRO, DE MINAS E DO RIO GRANDE DO SUL: UNI-VOS!

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Vocês são as primeiras vítimas do infame programa de instalação do Estado mínimo no Brasil patrocinado pela banca privada sob comando explícito do ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Com a aprovação do que chamam a renegociação das dívidas estaduais, que tem como objetivo estrangular investimentos e gastos dos Estados federados em troca de uma moratória de três anos no pagamento da sua “dívida” com a União, que permanecerá intocada, a crise financeira desses três governos será estendida a todo o país, antecipando efeitos da PEC-55, ou PEC da Morte.

Levantem-se. Saiam de suas zonas de conforto e lutem. Não deixem que a degradação de seus salários e suas condições de trabalho se materializem como degradação ainda maior dos serviços que são prestados pelos servidores à população. Dirijo-me principalmente a policiais militares e bombeiros, que estão na linha de frente do atendimento ao público dos serviços essenciais de segurança e proteção. Se vocês lutarem, pacificamente, indo para ruas e praças exigir seus direitos, conseguiremos afastar o fantasma de convulsões sociais e guerra civil.

Vocês, bombeiros e policiais militares, da ativa e aposentados, podem dar aos demais servidores um exemplo de unidade e união de propósitos. Nada de quebra-quebra e agressões. Levem suas famílias para uma caminhada nas vias e praças principais das capitais, a partir de 17h de hoje e amanhã, e protejam a elas e aos demais manifestantes de eventuais baderneiros. Superem divergências ideológicas e partidárias fixando-se no objetivo de varrer do Palácio do Planalto aqueles que, em lugar de servir ao povo, servem a empreiteiras e bancos, roubando o dinheiro e as esperanças da sociedade.

A crise dos Estados na verdade não está nos Estados. É uma crise gerada e gerida pelo Governo federal, há anos, desde que o Governo Fernando Henrique impôs aos Estados o pagamento de uma dívida pública que deixou de exisstir, na medida em que foi paga sem deságio à banca privada com títulos públicos – isto é, com recursos dos próprios cidadãos dos Estados. Qualquer governo honesto anulará essa dívida e fará retornar aos Estados o que foi pago por eles indevidamente. E este que é apresentado como principal problema financeiro dos governos estaduais será transformado em solução definitiva para esses problemas.

Se vocês, servidores dos três Estados que se declararam em calamidade financeira, puxarem nas ruas e praças a luta pelo não pagamento da dívida e pela devolução do que foi pago indevidamente, não apenas estarão defendendo seus próprios interesses como estarão dando um importante exemplo para os demais servidores do Brasil, que também deverão sair de sua zona de conforto para ocupar as praças do país neste sábado e domingo a fim de contestar uma política que também os aniquilará se não for sustada. Nesse movimento, o povo na rua fará o que os governadores pusilânimes atuais e passados, por incompetência ou ignorância, não fizeram: contestar uma dívida que nunca existiu.