16.12.16

INCÔMODO ABANDONO

CARLOS CHAGAS -

Certas iniciativas, em política, são incompreensíveis. A mais recente foi encenada pelo advogado José Yunes, assessor especial da presidência da República e amigo fraterno do presidente Michel Temer. Em carta emocional, ele entregou o cargo, alegando como motivo haver sido acusado pelo ex-diretor da Odebrecht, Claudio Filho, de receber em seu escritório, em São Paulo, 10 milhões de reais de propina pagos pela empreiteira que supostamente atendia pedido do presidente Michel Temer para ajudar o PMDB na campanha eleitoral.

Yunes chamou a acusação de abjeta e fantasiosa, feita por pessoa que nem conhece. Por isso, pedia demissão.

Ora, se mentirosa a delação, caberia ao advogado permanecer ao lado do amigo há cinquenta anos, para comprovar a falsidade. Saindo, deixa no mínimo dúvidas. Deveria ter aguardado a divulgação completa do depoimento do delator para desmenti-lo e processá-lo. Jamais deixar o presidente Temer às voltas com uma acusação por enquanto indefinida.

São muitas as situações como essa, em se tratando de acusações à distribuição de propinas por empreiteiras a figuras do governo. Cabe ao presidente elucidá-las, dando aos envolvidos no noticiário a prerrogativa de comprovar sua inocência. Se não conseguirem, só então deveriam renunciar.

Yunes e Temer/Reprodução arquivo Google.
REBELIÃO

Renan Calheiros sofreu nova derrota no plenário do Senado. Seus liderados não aceitaram antecipar a votação do projeto sobre o abuso de autoridades, ficando o projeto para fevereiro. Fora da presidência da casa, após o recesso parlamentar, precisará comprovar sua liderança na votação posterior. Terá mais dificuldades, como ex-presidente, mas promete manter a disposição de enquadrar o Judiciário.