17.12.16

MEIRELLES E TEMER AJUDAM PATRÕES A DESEMPREGAR COM MENOR CUSTO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Em plena crise de desemprego, a maior de nossa história, Michel Temer baixa em seu minipacote da infâmia medidas para reduzir o custo das demissões por parte dos empregadores. Um ingênuo diria: isso é uma extrema insensibilidade política. Não é. Temer, orientado por Henrique Meirelles, faz o que a banca manda. E ordem da banca se cumpre sem considerações com popularidade, conforme recomendou aquele publicitário imbecil, em discurso inflamado, na reunião do chamado Conselho de Desenvolvimento Econômico.

Examinando com lupa o minipacote da infâmia, não é possível encontrar uma única medida que favoreça o aumento do emprego ou a redução do desemprego. Tudo é em benefício do capital, especialmente dos bancos. Nesse contexto pode-se entender o que é a PEC-55/241 e a reforma da Previdência. Trata-se da tentativa de cristalizar constitucionalmente, de forma imediata, favorecimentos à banca e ao capital financeiro no mais curto espaço de tempo possível, tornando praticamente impossível sua revogação, mesmo que essa quadrilha saia agora do poder.

Para isso, eles jogam não apenas com o tempo da medida – no caso da PEC, a vigorar por 20 anos -, mas com a certeza do comportamento servil aos banqueiros de grande parte do Congresso Nacional, que impediria a aprovação de uma nova PEC para revogar a que foi aprovada. Confiando no financiamento privado de campanhas, a banca compra o eleitorado para os que se comprometem a servi-la. Com isso, não apenas compra direta e indiretamente leis e medidas provisórias, como impede que prosperem leis e medidas provisórias contrárias a seus interesses.

Não temos alternativa senão varrer essa canalha do sistema de poder no Brasil. O financiamento privado de campanhas terá de ser abolido. Mas terá de ser abolida também a forma como o sistema partidário abocanhou por meio de cartórios privados o Fundo Partidário e fez do aluguel de legendas um balcão de negócios de tempo de televisão. No meu entender, a forma correta do financiamento da campanha é pelo povo. Isso tem funcionado bem nos EUA, onde Obama, e posteriormente Sanders fizeram grandes caixas eleitorais a partir de contribuições pequenas dos pequenos. Vamos experimentar isso. É a única coisa que presta do sistema eleitoral americano.

Mantemos, Requião, que está no facebook, e eu, que continuarei aqui, o convite para uma grande caminhada no centro das capitais e das grandes cidades para dar “um rotundo não”, como dizia o saudoso Brizola, a essa canalha que está no poder. Canalha. Como soa bem esta palavra depois que Requião a repetiu três vezes em defesa do mandato constitucional da Dilma, embora esclarecendo lealmente que fora contra a política econômica dela – como eu também fui, sobretudo com a estúpida experiência do Joaquim Levy na Fazenda. Enfim, agora, todos juntos, inclusive com os valorosos coxinhas, vamos à luta pela redenção nacional.