18.12.16

UM MANDATO DE VINTE ANOS PARA OS MAGANOS DO SISTEMA BANCÁRIO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


O Congresso deu a Michel Temer e Henrique Meirelles, por meio da PEC-55/241, um mandato de 20 anos. A maioria dos senadores e deputados que votou essa aberração oscila entre a imbecilidade e a má fé. Imbecilidade por não entenderem nada do processo econômico. Má fé por entenderem demais. Com uma vigência de duas décadas, caso seja aplicada, essa legislação que ganhou status constitucional garante uma depressão econômica profunda e recorrente ao longo de cinco mandatos presidenciais, nos quais os chefes de governo seriam meros marionetes do sistema bancário especulativo.

A dupla que desempenhou o papel principal nessa violência contra a cidadania sabe muito bem que é preciso espremer ao máximo o sistema produtivo para ganhar espaço crescente para a banca. Na realidade, nosso sistema bancário está virtualmente falido. Foi ferido de morte pela depressão. Aqueles infelizes trabalhadores, aposentados e pensionistas que se meteram a fazer crédito consignado estão, em grade parte, desempregados ou com renda em queda. Não pagarão suas contas. Daí o desespero dos bancos em fazer outro socorro do tipo Proer. E não há sequer escrúpulo em por o dinheiro do FGTS para esse resgate.

Fernando Henrique, o inescrupuloso autor do primeiro Proer, está de tocaia. É o candidato indireto às eleições presidenciais. Em nome da estabilidade financeira salvaria de novo os bancos. Parece que Jobim não é muito confiável para isso, a não ser que lhe paguem bem. Os tucanos parecem preferir mesmo o seu quadro octogenário, que levaria o país em boas águas até 2018. Claro que tudo isso não passa de ilusão. Os bancos terão de encarar a verdade. Não só o crédito consignado afundou. Milhares, talvez milhões de pequenas e médias empresas estão sucumbindo na recessão, incapazes de pagar suas dívidas bancárias. Daí o desespero dos fâmulos dos bancos, como Meirelles, para encontrar salvação.

Nos bons tempos se dizia, “bem feito”, livraram-se de Dilma e agora se virem. Dilma provavelmente iria tentar arranjar, em nome da estabilidade, um meio de salvar os bancos a fim de não ser acusada de esquerdista. Agora já não há muito tempo, nem condições econômicas ou políticas, mesmo com Michel e Henrique no comando do navio. Que vão para o diabo. Vamos estatizá-los todos, principalmente os grandes. E encontrar administrações sérias, mais comprometidas com o povo do que Banco do Brasil e Caixa, para tomar suas rédeas e fazer aqui o que está feito na China e na Índia: um sistema bancário estatal, sólido, infenso às maquinações financeiras dos especuladores, comprometidos com o desenvolvimento.