20.1.17

A CORREÇÃO NO CALENDÁRIO

CARLOS CHAGAS -


Durante a República Velha as eleições se realizavam em março, data para comemorar a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, mas a posse dos eleitos só a 15 de novembro, em homenagem à Proclamação da República. Péssima escolha, pois entre a eleição e a posse decorriam nove meses. Era tempo demais para que se confirmassem os resultados e surgissem, não raro, ideias e até propostas nada ortodoxas, quando os novos donos do poder criavam novas oligarquias ou submetiam-se às anteriores.

De lá para cá testamos inúmeras datas, sendo que as atuais fixam as eleições no primeiro domingo do mês de outubro do ano eleitoral e a posse a primeiro de janeiro do ano seguinte. Menos mal, porque havendo segundo turno na maioria dos casos no último domingo de outubro, sobrarão apenas dois meses, novembro e dezembro, para o novo presidente assumir. Tempo bastante para a composição do ministério mas curto para se pensar em bobagens.

Mesmo assim, seria bom aproveitar a reforma política em curso para uma pequena mas importante correção. Não há dia pior para posses do que o último dia do ano e o primeiro do novo. Muita gente comemora, alguns se excedem e todos se ressentem. Temos tido prova desses incômodos desde 1989, quando não apenas convidados estrangeiros deixam de vir, mas ministros já nomeados trocam os discursos pelo sono.

Seria oportuno prorrogar os mandatos por alguns dias, sem que a mudança significasse diminuição sensível. Já se tentou, no Congresso, fixar as posses a dez de janeiro, quando todos estariam devidamente a postos, já que antecipá-las para o dia de Natal seria de mau gosto.

Pode parecer coisa de menor importância, ainda que se trate de detalhe capaz de equilibrar o humor de muita gente. Numa hora em que se trata da reforma política, seria oportuna a correção do calendário.