20.1.17

A HISTÓRIA DA ABI MANCHADA POR QUEM APLAUDIU O DONO DA CORDA COM MEDO DA FORCA

Por ANDRÉ MOREAU -

Atentos ao retrocesso que vem atingindo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), desde outubro de 2013, os membros da Chapa Villa-Lobos, o Conselheiro Deliberativo Efetivo da ABI, Daniel Mazola, juntamente com o advogado e confrade André de Paula, entregaram (19) solicitação de apresentação dos seguintes documentos, para o Presidente do Conselho Deliberativo da ABI, Ivan Cavalcanti Proença:

1. Ata da Assembléia que autorizou a utilização do voto eletrônico através de máquinas de primeira geração e pela Internet.

2. Assembléia que trata dos fatos ocorridos antes da eleição 2016/2019, que reelegeu o Sr. Domingos Meirelles com pouco mais de cinqüenta e dois votos.

Cumpre ressaltar que chapas de diretoria são compostas por cinqüenta e dois membros associados.

A ABI, criada em 7 de abril de 1908, é uma entidade marcada por posições nacionalistas, visando assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e tornar-se um centro poderoso de ação.

Hoje em tempos de exceção como em 64, de duros embates sobre diferentes opiniões, a Casa dos Jornalistas, apóia o "impeachment," sem mérito, mesmo que a contra gosto de inúmeros associados.

História

O Presidente Barbosa Lima Sobrinho, foi incansável defensor da soberania nacional. Dentre outras bandeiras, defendeu a criação da Petrobrás e as "Diretas Já". Barbosa é autor da celebre frase que sintetiza as diferenças sociais do Brasil só havia dois partidos: o de Tiradentes e o de Silvério dos Reis.

Com a morte de Barbosa, Fernando Segismundo, foi eleito Presidente da ABI. A Casa dos Jornalistas se manteve com retidão e ética, seguindo a concepção do seu fundador, o jornalista, Gustavo de Lacerda que teve como principal objetivo assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais, tornando a ABI num centro poderoso de ação. Segundo o próprio Lacerda, a Associação deveria ser um campo neutro em que se pudessem abrigar todos os trabalhadores da imprensa.

Segismundo, ressaltou que "além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas - e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do País".

Em sintonia com os acelerados tempos de tecnologia informática, durante a administração de Fernando Segismundo, o confrade Osvaldo Maneschy, foi responsável pela criação do site da ABI.

Posteriormente, cumpre ressaltar, Fernando Segismundo autorizou por escrito o funcionamento do movimento teatral junto a ABI, proposto pelo autor deste artigo, em parceria com criadores da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), movimento integrado a "A ABI que nós queremos," campanha de membros da Casa dos Jornalistas, mais adiante denominada Chapa Prudente de Moraes, neto (2002 – 2004), que indicou e elegeu o jornalista Maurício Azêdo, Presidente da ABI.

Destacado profissional do jornalismo, enquanto Presidente da ABI, Maurício Azêdo foi responsável pela elaboração do Jornal da ABI, veículo com requintadas feições gráficas que circulou mensalmente, até a sua morte. As edições eram enviadas regularmente por mala direta aos associados, brasileiros e estrangeiras. O Jornal da ABI, deu maior visibilidade às lutas por liberdade de expressão e Direitos Humanos.

As reuniões do Conselho da ABI que antecederam a morte do jornalista Maurício Azêdo (11/2013), foram marcadas por duros embates

Até essa quadra da História da ABI, o conselheiro Domingos Meirelles, foi considerado amigo de Azêdo e leal membro da Chapa Prudente de Moraes, neto.

A descoberta de que Meirelles resolveu trabalhar na divisão da Chapa Prudente de Moraes, neto, objetivando promover a Chapa Wladimir Herzog, encabeçada por ele mesmo, surpreendeu seus pares, mas o pior ainda estava por vir.

O clima de embates se intensificou até a última reeleição da Prudente de Moraes, neto, encabeçada por Maurício Azêdo.

Insatisfeitos com o resultado das urnas, membros da Chapa Wladimir Herzog, resolveram ingressar na justiça propondo cancelar a vitória da Prudente de Morais, neto.

A decisão jurídica em primeira instância favoreceu Domingos Meirelles. Considerada desproporcional, a decisão foi questionada na justiça e após meses de mobilizações, Maurício foi reconduzindo à presidência da Casa dos Jornalistas, no entanto, sua saúde havia sido abalada pelo golpe vindo de um velho amigo.

A última edição do Jornal da ABI contendo a carta chamamento de Azêdo, elaborada no seu leito de morte, ficaria fora de circulação, se não fossem os protestos de Marilca, a viúva. No texto Maurício denuncia a narrativa golpista em curso na América Latina.

Com base na previsão estatutária de vacância, em casos de morte, David Fichel, questiona a possibilidade do vice-Presidente Tarcisio Holanda, assumir a presidência. Em uma Assembléia histórica, David Fichel acaba sendo escolhido para assumir a presidência interina da ABI.

Dos embates saudáveis entre conselheiros, a ABI foi mergulhada num retrocesso de grande escala, como órgão auxiliar das ações de obscurantismo promovidas pelas organizações Globo. Com a fragmentação da Chapa Prudente de Moraes, neto, Domingos Meirelles, acaba reassumindo a direção da ABI.

Domingos Meirelles, transformou o site da ABI, numa espécie de órgão de circulação interna dos defensores do impeachment, sem mérito. O Jornal da ABI, saiu de circulação. Pouco a pouco aquela ABI de lutas, foi saindo de sintonia, em apoio a entidades e empresas patronais como as organizações Globo. A ABI foi perdendo visibilidade, até ser transformada numa espécie de agência de poucos candidatos, para menos empregos, ainda.

Apática, a diretoria da ABI passou a aceitar os caprichos do Presidente, ausente

Esse Modus Operandis perpassou a primeira gestão de Meirelles, até abril de 2016, quando pode se verificar através da denúncia do conselheiro, então Presidente da Comissão Eleitoral (2016/2019), Carlos Newton, que cansado com as arbitrariedades do que denominou ser semelhante ao reinado da rainha da Inglaterra que tem trono, mas não governa. Newton questionou publicamente as conspirações de Meirelles, para impedir a Chapa Villa-Lobos, encabeçada pelo Jornalista e escritor José Louzeiro, de concorrer (2016/2019), visando se perpetuar na presidência da ABI, mesmo que com poucos mais do que cinqüenta e dois votos.

*André Moreau, Professor e Jornalista, Diretor do IDEA – Unitevê (Canal Universitário de Niterói) e Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes Nas Artes/Fonte: blog Jornal da ABI.