30.1.17

CONSTRUTORES DA UNIDADE NACIONAL NAS POSTULAÇÕES DOS JOVENS NINJA

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Não há saída para o Brasil se não desligarmos o farol de ré e acendermos o farol alto para iluminarmos a estrada à frente. As gerações mais maduras tem imensa dificuldade de fazer isso. Entretanto, vejo esperanças na nova geração. No último sábado participei de atividades com um grupo de jovens dos Mídia Ninja de Brasília e fiquei espantado por ver como nós, mais velhos, estamos ultrapassado. O que se descortina com essa juventude é uma combinação extraordinária de críticas muito bem fundamentadas à situação social, econômica e política atual com uma busca genuína de alternativas fundadas na solidariedade.

Ouvi um discurso de uma jovem ativista sustentando, surpreendentemente, que é hora de esquecer o impeachment de Dilma Roussef e focar no futuro. Não adianta nos orientarmos pelo ressentimento e ficarmos parados no passado. É preciso buscar o diálogo também com aqueles que votaram contra Dilma no impeachment. Só assim poderemos avançar. Nada adianta marcarmos passos insultando os chamados coxinhas, por sua relação com o impeachment, pois dessa forma não ampliaremos nosso círculo de influência. Seremos nós mesmos com nossos próprios fantasmas do passado sem possibilidade de avançar.

É preciso entender, disse um orador, que entre os milhares daqueles jovens que foram às ruas a favor do impeachment havia muitos que acreditavam sinceramente nos propósitos de sua ação. É injusto dizer que todos tinham má fé. O fato de muitos terem sido manipulados pela grande mídia e pela Fiesp não os culpa. Na verdade, os inocenta. Daí a necessidade da busca do diálogo com todos a fim de que sejam encontrados meios francos de abordar a realidade brasileira e apontar as saídas possíveis para a crise gigantesca em que nos encontramos. Com a sociedade partida ao meio, não há solução possível.

Muita gente deposita suas esperanças na volta do Lula. Eu certamente votaria nele se não houver evolução do quadro político até 2018. Mas devemos entender que Lula não será o salvador da Pátria sem a costura de um pacto social, econômico e político novo. Simplesmente porque ele encontraria uma nação cujas divisões iriam a limites extremos. Os partidos que dão suporte eleitoral a Lula, também eles, deverão desligar o farol de ré. Não adianta ocupar espaços no parlamento e os poucos espaços na mídia para remoer o passado. É preciso construir o novo. Se não sabem como fazer, apelem para os Mídia Ninja.