18.1.17

FATOS POLÍTICOS PASSAM A OCUPAR ESPAÇOS NO NOTICIÁRIO POLICIAL

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Realmente a cada dia que passa o noticiário político remete para a área policial. O fato mais recente envolve o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que desde que deixou o cargo de confiança do governo golpista de Michel Temer tinha caído no esquecimento da mídia comercial conservadora. Ele, por sinal, deve ter ficado satisfeito porque nunca mais se falou do tal apartamento em uma área nobre de Salvador tombada pelo Patrimônio Histórico e que originou a sua saída.

Mas agora, decorridas algumas semanas do afastamento, eis que Geddel volta ao noticiário, via Polícia Federal e pelo Ministério Púbico. O ex-ministro do golpista Michel Temer é mencionado como braço-direito do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se encontra preso em Curitiba, para liberar empréstimos a empresas ‘dispostas a realizar negociações ilícitas’.

Geddel Vieira Lima, ainda segundo a denúncia, na qualidade da vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, o qual exerceu entre 2011 e 2013, portanto no governo anterior, agia internamente, em ajuste com Cunha, para beneficiar as empresas suspeitas de pagamento de propina.

Resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e verificar se o surgimento do nome de Geddel se dá apenas pelo fato dele ser hoje um “cachorro morto” ou as investigações vão até as últimas consequências, mesmo que ele continue sendo pessoa de confiança de Michel Temer, cujo governo a cada dia que passa fica mais comprometido com denúncias comprometedora sobre fatos de corrupção.

Outra denúncia envolvendo alguém vinculado ao governo golpista, que está querendo culpar os servidores públicos em todos os níveis pelo buraco orçamentário, relaciona o atual presidente Nacional da Juventude do PMDB, Francisco de Assis Costa Filho, nomeado para a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) como envolvido em esquemas de enriquecimento ilícito e violação de princípios administrativos em um município maranhense onde nasceu.

Vale lembrar que Costa Filho assume o cargo no cugar de Bruno Moreira Santos, que pediu demissão após repercussões negativas referente a declaração em que o dirigente da Juventude peemedebista achava que deveriam ocorrer toda a semanas chacinas como de um presídio de Manaus em que morreram 56 presos.

Todos os acusados são de confiança do golpista Michel Temer e do partido em que Eduardo Cunha durante muito tempo tinha muito poder e pode estar influindo nos bastidores.

Mas também vale a mesma avaliação que a de Geddel: as acusações vão até as últimas consequências ou os nomes surgiram porque os acusado entraram no rol dos "cachorros mortos" ?

Todos estes fatos e mais os anteriores que culminam com as recentes denúncias envolvendo o todo poderoso ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que teve os seus bens bloqueados pela Justiça do Estado do Mato Grosso por ter sido acusado de “improbidade administrativa”.

Assim caminha o governo do golpista Michel Temer. Resta saber se próximo do fim para ser substituído por uma eleição indireta a ser realizada pelo Congresso, ou então continuar como chefe golpista do Executivo para realizar, junto com o Ministro Henrique Meireles, o projeto que está a provocar um tremendo retrocesso em todos os níveis, sobretudo relacionado com as conquistas sociais.

Mais cedo do que se imaginava 2017 está se apresentando de forma igual ou ainda pior que o ano anterior. E com o agravante que diz respeito às projeções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo as quais em cada três desempregados no mundo um será no Brasil.

Mas por enquanto querem incutir nos brasileiros que a inflação está em baixa, mas sem explicar que o verdadeiro motivo foi o fato de o consumo ter se reduzido de forma acentuada. Mas para evitar uma análise mais aprofundada sobre o tema, que poderia anular a euforia, é preferível que os analistas de sempre evitem mencionar ou debater o fato.

*Mário Augusto Jakobskind, Professor, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Unitevê - Canal Universitário, de Niterói - UFF – Universidade Federal Fluminense/Fonte: site Brasil de Fato.