25.1.17

UM ENCONTRO COM TOM JOBIM

ALCYR CAVALCANTI -

O maestro faria aniversário hoje, dia 25 de janeiro.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim se estivesse vivo faria 90 anos. Meu encontro com Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim foi em um "pé sujo" no Leblon em um dia de eleição no inicio dos anos oitenta. Tinha ido a serviço do Globo onde trabalhava como repórter fotográfico para registrar algumas filas de eleitores em locais de votação. Ao passar pela Ataulfo de Paiva parei para beber uma água mineral e deparei com uma cena inusitada, Tom bebia um cafezinho da manhã, sem estar vestido de black tie, provavelmente após uma longa noite, em um  bar próximo a uma farmácia em frente a uma banca de jornal onde o poeta ia diariamente assinar o ponto. Fiz a minha identificação profissional e disse a ele que queria fotografa-lo, e perguntei  se iria votar. Tom respondeu que não havia ainda se decidido em comparecer às urnas, ou não. Aproveitei e fui "clicando" com a minha (do jornal) Nikon F2 com motor, uma câmera compacta, verdadeira arma de guerra.


Fiz as imagens sem sequer dar tempo do poeta argumentar sobre se iria sair bem na foto, ou não. Fui embora sabendo que tinha uma joia preciosa nas mãos (e na F2), principalmente por ter tido a sorte da foto exclusiva. Uso sempre essa imagem que sei ter sido em um momento único, e porque não, decisivo. Na edição final os editores não ficaram muito emocionados com a imagem e publicaram sem nenhum destaque. Mas sei que possuía uma imagem preciosa, guardei em meus arquivos e sempre exponho com destaque em palestras ou exposições fotográficas.

UM OUTRO ENCONTRO

Fiz cobertura das noites cariocas para vários colunistas sociais e alguns outros de faits divers e tive privilégio de encontrar com o poeta em outras ocasiões. Em recente lançamento de um livro da Editora Barléu conheci Beth Jobim filha de Tom, apresentada por Carlos Leonam com quem trabalhei no Globo, então me lembrei dos encontros com Tom  e veio à memória uma noite quando a serviço da Tribuna da Imprensa, na época editada pelo Tarso de Castro, que tentava uma reaproximação com Chico depois de uma bebedeira que terminou em briga. Fui junto com o ilustre jornalista Marceu Vieira fazer uma reportagem exclusiva sobre um encontro entre compositores sobre problemas relativos a direitos autorais. Os mais importantes da MPB lá estavam, mas dentre muitos cliques guardo o registro entre Chico Buarque e Tom Jobim a respeito de uma farta distribuição de charutos cubanos da primeiríssima linha. Me recordo de uma frase: "Poxa Tom você fica dando Habanas a torto e a direito, até pra quem não fuma". O momento ficou eternizado.


O ÚLTIMO ENCONTRO

Foi em meu primeiro serviço para o Estado de São Paulo (Estadão) ao cobrir o velório do Tom Jobim em dezembro de 1994. Foi um momento de muita tristeza. O poeta havia partido.