30.1.17

UTILIZADO INDEVIDAMENTE SITE ABI NÃO DEBATE TEMA QUE AFETA JORNALISTAS E SINDICATOS DE TODO O PAÍS

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND e ANDRÉ MOREAU -
Fora de sintonia a direção da ABI insiste em se manter na Casa dos Jornalistas, ignorando fatos que ameaçam cada vez mais jornalistas profissionais, seus respectivos sindicatos e a própria ABI.

O site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) noticiou recentemente que a partir de fevereiro o jornal Correio Riograndense, de Caxias do Sul, vai parar de circular. A publicação, fundada em 1909, por frades capuchinhos, revela de forma superficial o site da ABI, deixará de circular em função das pesquisas de comportamento terem apontado queda no número de assinantes.

O problema, claro, é muito mais sério do que foi mencionado e mereceria uma abordagem mais esclarecedora. Entre os associados da ABI, sem dúvida existem jornalistas com base para fazer uma análise do que está acontecendo no campo editorial, nos sindicatos da categoria, nas empresas de jornalismo, além, é claro, no Congresso Nacional que levam não apenas o Correio Riograndense a cerrar suas portas.

Uma das funções da ABI é fazer esse tipo de análise que afeta profissionais de imprensa em várias partes do Brasil. É preciso mostrar aos jornalistas, não apenas aos das novas gerações, as conseqüências no campo jornalístico, geradas pelo modelo neoliberal em curso no Brasil.

Só se mantém no poder, quem controla a informação ou, os que pagam pela publicação da sua opinião.

É claro que no espaço de um site, é improfícuo abordar o tema com mais de duzentos e cinqüenta caracteres, desde a multiplicação dos textos bíblicos que teve início com os alemães, mas tratar das diferentes relações dialéticas entre a imprensa e o público que passou a ser promovida pela imprensa artesanal, respeitando leitores e profissionais do setor, esquecidos na imprensa industrial, é dever da ABI.

A mudança no Rio começou a ocorrer no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), com a criação do Jornal Extra e foi marcada por mudanças de paginação, contratação de pessoal, visando enfraquecer o Jornal O Dia. A opinião dos leitores ficou restrita a publicação de algumas mensagens em seções cercadas, geralmente depois dos editoriais. A futilidade passou a ocupar as editorias, em detrimento de opiniões isentas sobre os serviços públicos que servem aos mais pobres. Empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce, foram privatizadas. Portos florescentes como o de Manaus, Santos e o do Rio, fecharam ou, entraram em estado de paradeira, servindo apenas ao turismo.

É importante destacar que em meio a esse processo de exclusão de determinadas opiniões dos leitores e ou, de colunistas, as famílias que controlam a imprensa e os meios de massa, passaram a se manter no poder usando a propaganda e a uniformização da informação, no lugar da força militar. O controle social passou a ser exercido, novamente, com base em técnicas colocadas em prática por Jean Manzon e Irineu Marinho, junto ao Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES) que em apoio ao golpe de 1º de abril de 1964, abriram as porteiras do Brasil, para o capital estrangeiro.

Hoje com a violência velada da tecnologia informática que favorece o mercado, em detrimento do público, jornais artesanais como Correio Riograndense que prezam pela opiniões dos leitores, não tem vez.

Os empresários que vêm patrocinando as futilidades que entremeiam a narrativa do último golpe (2016), pensado em julho de 2013, nas organizações Globo, só trabalham junto a chamada “grande imprensa”, tendo como meta lucros em escala global, com base na Lei Kandir, nº 85, de FHC que os isenta de quaisquer tipo de impostos em transações oriundas de exportações.

O site da ABI, mais uma vez perde a oportunidade de promover um debate que interessa a todos os jornalistas nos mais diversos rincões do país.

É lamentável que um espaço como o do site da ABI se limite a apenas informar que um jornal secular está fechando as suas portas, sem tratar devidamente das conseqüências da opção de mantê-lo funcionando, apenas na grande rede.

Os associados da ABI sabem que a atual diretoria não tem interesse em aprofundar o tema em questão, porque dessa forma, entraria em contradição com o apoio que vem dando a entidades e empresas patronais como as organizações Globo, autora da narrativa do JN que em linhas gerais, noticiou e vem repetindo que: com o novo governo, o Brasil voltará a ter credibilidade e, agora, até o final de 2017, sairemos da crise.

A síntese cor de rosa explica o fato da atual diretoria da ABI, ter apenas divulgado o fato e se recusar a debater o tema.

*Mário Augusto Jakobskind, Professor, Jornalista e Escritor. Coordenador de História do IDEA, Unitevê - Canal Universitário, de Niterói - UFF – Universidade Federal Fluminense.
*André Moreau, Professor e Jornalista. Diretor do IDEA. Unitevê. Canal Universitário de Niterói/Fonte:  blog Jornal da ABI.

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