13.2.17

1- IDADES E DEDOS; 2- JEITO DE ESCRITURA; 3- A SOBRA; 4 - A MULHER SINO; POR MARCELO MARIO DE MELO

MARCELO MARIO DE MELO -
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Nós temos várias idades correndo paralelas em estágios, instâncias e tempos distintos. Por isso somos tão multifacéticos e contraditórios nas escalas do bem e do mal e do conhecimento. Temos uma idade cronológica, uma idade intelectual, uma idade profissional-sobrevivencial, uma idade psicossocial-relacional, uma idade emocional. Todas desiguais entre si, como os cinco dedos da mão, e cada uma carregada de subdivisões.

O dedo maior de todos representa a idade cronológica. Os demais variam. Podemos estar surfando na onda em uma idade e nadando no raso em outra. Cada um que procure desenhar suas correspondências entre idades e dedos.

A vida é assim. Essa desigualdade é que anima o esforço no sentido de reduzir as distâncias entre as idades-dedos, sabendo-se que não se terá nunca os dedos igualados no mesmo plano, como as teclas do piano, os pelos da vassoura e da escova de dentes. [Do livro Notas Críticas]

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JEITO DE ESCRITURA

A minha escritura tem muito a ver com céu e pedaço de pau.

Coisa de gente aluada que vive fazendo figura com nuvem abrindo e fechando o olho na luz do sol pra inventar arco iris descobre personagem em casca de muro bate papo com musa fada bruxa e sinal de pontuação e bota bicho pra falar das inconvivencias dos humanos.

Coisa de sucateiro e catador de lixo gente que pega resto de comida pra comer e comida podre pra fazer adubo aprende filosofia com livro grosso e tolete cutuca religiosidade de ateu aprende materialismo na bíblia e admira estrelinha de cu.

Eh uma coisa simples e sem muita ciência que não rende nem uma pitada de tese de mestrado. Escrevo assim porque sou assim e não posso ser diferente de mim. A minha poesia eh a minha cara no espelho da vida e pronto.

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A SOBRA

O amor era maior do que cabia no mundo e ficava muita sobra de Saudade sem ter onde botar. Então ele soube que Presença poderia derreter Saudade e lhe mandou uma mensagem para vir urgente porque Saudade tinha tomado conta de tudo e não parava de lhe empurrar contra a parede apertando apertando tirando a respiração com risco de morte. Não sabemos se Presença o atendeu porque o sistema saiu do ar.

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A MULHER SINO

O sorriso dela badalava um sino se encorpando em nuvem esculpindo busto corpo de mulher imensa desfraldando saia atiçando sanha dançando no céu.

Em todo seu corpo sinos se acendendo seios se ensinando fanfarra de sinos em fogueira.

Ela vem descendo sinocarnenuvem badalando cios.