25.2.17

1 - TEMER ADMITE QUE PEDIU DINHEIRO À ODEBRECHT; 2 - TAXA DE REJEIÇÃO DE TEMER JÁ É MAIOR DO QUE A DE DILMA, DIZ NOVA PESQUISA: 78%; 3 - PROCURADORIA DEVE INVESTIGAR PADILHA APÓS DEPOIMENTO DE YUNES SOBRE “PACOTE”

REDAÇÃO -

O presidente Michel Temer confirmou, em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, que pediu recursos para a campanha eleitoral de 2014 para a Construtora Norberto Odebrecht. Temer alega que não autorizou nem solicitou que nada fosse feito sem amparo da Lei Eleitoral. Foram doados R$ 11,3 milhões. Ele afirmou no comunicado que sua participação no episódio limitou-se a pleitear os recursos.

“Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht. Não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”, diz o comunicado.

A nota foi divulgada após as declarações do amigo de Temer e ex-assessor especial José Yunes, de que atuou como “mula” do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, naquele ano. Ontem à noite, Yunes reuniu-se com Temer no Palácio da Alvorada.

Yunes disse ao Ministério Público Federal que recebeu um pacote do doleiro Lucio Funaro, em seu escritório em São Paulo, a pedido de Padilha. Na sua colaboração premiada na Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho afirmou que Funaro teria levado R$ 1 milhão em dinheiro vivo para o escritório de Yunes. (via Valor)

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Taxa de rejeição de Temer já é maior do que a de Dilma, diz nova pesquisa: 78%

Nova edição do Barômetro Político, pesquisa da consultoria Ipsos antecipada à BBC Brasil. O levantamento, feito no início do mês nas cinco regiões do país, perguntou a 1.200 pessoas sua opinião sobre 20 personalidades do mundo político e jurídico.
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O presidente Michel Temer tem-se tornado cada vez mais impopular desde que ganhou mais visibilidade ao longo do processo de impeachment e após chegar ao poder. Há um ano, 61% dos entrevistados o reprovavam, agora são 78%.

Ele hoje só fica atrás do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (89%) e do senador Renan Calheiros (82%), cujas taxas de rejeição também subiram.

A taxa de rejeição a Temer já é maior do que a da ex-presidente Dilma Rousseff. Destoando da maioria dos políticos, a petista tem visto sua avaliação negativa recuar, embora continue em patamar muito alto (74%). Há um ano era de 84% e, em setembro de 2015, havia chegado a 90%.

A reprovação a Lula, por sua vez, tem mostrado certa estabilidade e hoje registra taxa de 66%.

Já os principais nomes do PSDB apresentaram todos piora dos seus índices de popularidade. Nos últimos 12 meses, subiram as rejeições ao senador Aécio Neves (de 51% para 74%), ao senador José Serra (de 49% para 66%), e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (de 51% a 64%). (informações BBC)

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Procuradoria deve investigar Padilha após depoimento de Yunes sobre “pacote”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pedir nas próximas semanas a abertura de inquérito para investigar o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) diante do depoimento de José Yunes, ex-assessor do presidente Michel Temer.

Yunes prestou depoimento na semana passada aos procuradores em Brasília.

O ex-assessor de Temer disse à PGR, e também em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha, na quinta (23), ter recebido um “pacote” em 2014, em seu escritório político em São Paulo, entregue por Lucio Funaro, a pedido de Padilha.

Com a versão contada por Yunes, a PGR avalia ser inevitável pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) autorização para investigar o ministro.

Yunes, que pediu demissão em dezembro, disse ter sido um “mula” de Padliha.

Em sua delação premiada, cujo teor foi revelado em dezembro passado, Cláudio Melo Filho, ex-diretor da Odebrecht, afirmou ter participado de um jantar no Palácio do Jaburu com Marcelo Odebrecht, Temer e o hoje chefe da Casa Civil. (via Folha)