18.2.17

A ABI NA COLEIRA DA UNIVERSAL

ANDRÉ MOREAU e MÁRIO A. JAKOBSKIND -


"Contrato", este é o título da nota de cinco linhas, publicada na coluna da jornalista Patrícia Kougut (16), em O Globo, através da qual informa aos seus leitores que o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, teve o contrato, que havia sido rescindido em julho de 2016, renovado junto a Record, por mais três anos.


O que agrava o fato, é saber que se trata de um contrato de exclusividade, o que impede a partir de agora que Domingos emita opiniões através de outras emissoras de televisão, o que coloca a representação da ABI, presa ao que pensa a editoria da Record.

O tamanho da nota impede quaisquer outras informações ou, análises como, por exemplo, o fato de Domingos ter usado o site da ABI, para propor a mencionada renovação de contrato, mas pelo destaque, pode sugerir que a fidelidade do presidente da ABI, poderá prever que o cidadão continuará malhando na defesa incondicional do patronato, até quem sabe, um dia, ser novamente convidado a compor a equipe das organizações Globo, onde lucrará muito mais.

Aprofundando mais um pouco os fatos, não poderíamos deixar de lembrar da atuação do grupo que integra a Chapa Vladimir Herzog que elegeu Domingos Meirelles, marcada inicialmente através de ações na justiça, passagem anterior a traição ao Confrade, jornalista e presidente Maurício Azêdo e por acordo escuso que o conduziu ao cargo, firmado após a morte de Azêdo.


Isso sem falar das eleições de abril de 2016, quando Domingos impediu arbitrariamente a Chapa Villa-Lobos, encabeçada pelo jornalista e escritor José Louzeiro, de concorrer, o que foi registrado em Ata manuscrita pelo então Presidente da Comissão Eleitoral, o Conselheiro Carlos Newton e amplamente divulgado, através de duas cartas do mesmo, anexadas a seguir.

Assim como o ilegítimo Michel Temer, Meirelles se inspira na narrativa das organizações Globo, Temer colocou junto a ele, para assessorá-lo, o General Sergio Etchegoyen, Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, um militar egresso da ditadura, cuja família prestou serviços aos generais de plantão, enquanto Domingos trabalha com Confrades que apoiaram a colocação de câmeras na ABI, para vigiar e intimidar opositores.


Resta lutarmos para que a ABI, um dia, volte a seguir sua trajetória de lutas por Direitos Humanos e liberdade de expressão, isso é claro, caso Domingos e sua equipe não queiram reverter o esvaziamento da Casa dos Jornalistas, provocado nessas últimas gestões, substituindo a inscrição Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Em suma, a ABI atual tendo na presidência Domingos Meireles, pode-se dizer em alto e bom som, é a antítese do que representou a Casa dos Jornalistas durante várias gestões capitaneadas por jornalistas dignos que nunca se aproveitarem da entidade para conseguir benesses pessoais ou contratos exclusivos, o que envergonha setores da categoria de jornalista que pensam e não compactuam passivamente com o que acontece agora no país ocupado por um governo golpista, que o atual presidente da ABI já teceu elogios no site, quando considerou o golpe empresarial de abril de 1964, como um "movimento político militar". Daí a instalar câmeras eletrônicas para vigiar funcionários e associados que discordem da atual diretoria, não chega a surpreender.

Mensagens do confrade Carlos Newton
Primeiro e-mail: "para Ivan, paulojeronimo, Sergio, mim.

Prezado presidente Ivan C. Proença,
Lamento muito lhe informar que, depois de desrespeitar minha palavra dada aos responsáveis pelas chapas de oposição, fui informado de que vão desrespeitar a sua, apesar de ter sido empenhada na condição de presidente do Conselho Deliberativo, instância superior da ABI, fato que representa uma atitude de desrespeito e desobediência estatutária, ética e moral. Portanto, sem legitimidade. 
Minha palavra de presidente da Comissão Eleitoral será desrespeitada na próxima segunda-feira e a sua palavra na condição de presidente do Conselho Deliberativo também o será, porque a ABI não fornecerá a listagem dos associados às chapas oposicionistas, desrespeitando o prazo que lhes foi concedido com concordância do próprio presidente da instituição, Domingos Meirelles, que parece ser como a Rainha da Inglaterra,que reina, mas não governa. A palavra dele, esta, realmente não vale nada, ninguém pode nela confiar. Dirá que não concordou, que foi um engano, e os áulicos de sempre hão de concordar com ele...
É triste assistir à decadência, da ABI, que caminha para a extinção, manobrada por um presidente que tenta dela se utilizar, pois não aparece na sede com a frequência que seria de se esperar, e utiliza o cargo para efeito de mera valorização profissional.
Na situação atual da ABI, é praticamente impossível formar uma chapa de oposição, porque a listagem somente é liberada a posteriori, às vésperas da eleição, e não se fornecem os e-mails dos eleitores.
Tenho vergonha de compactuar e ser conivente numa situação como esta. A ABI, templo da democracia brasileira, transformada num reduto de um grupelho, de uma patota, com se diz popularmente, a promover eleições fraudadas na origem, porque sem transparência e sem oportunidades iguais a todas as chapas.
Diante dessa situação leviana, ilegal e ditatorial. perpetrada mediante um Regulamento Eleitoral anacrônico e inconstitucional, que nem prevê eleição em voto eletrônica, mas será realizada assim mesmo, estou me afastando da presidência da Comissão Eleitoral, nesta data, e envio cópia desta mensagem aos representantes das chapas de oposição e ao vice-presidente, o ilustre e digno jornalista Paulo Jerônimo de Souza, que me indicou para fazer parte do outrora lendário Conselho Deliberativo da ABI.
Devo ressalvar, por derradeiro, que o Sr. se transformou num baluarte da ABI, tenho orgulho de contar com seu respeito e sua consideração, por saber que jamais concordaria com este estado de coisas a que chegou a mais tradicional instituição da sociedade civil brasileira.
Atenciosamente".

Segundo e-mail:
"para Ivan, paulojeronimo, Sergio, mim.
Sr. Presidente Ivan C. Proença,
Desculpe, mais uma vez, incomodá-lo no final de semana, mas não poderia deixar de assinalar que considero abjeta, aética e inaceitável a situação existente na ABI, em que o presidente e diretores eleitos no pleito principal depois se candidatam novamente na eleição de um terço do Conselho Deliberativo, conquistando assim direito de voto no órgão superior, que está acima da Presidência e da Diretoria da entidade. É mais ou menos como se membros no Executivo tivessem assento no Supremo Tribunal Federal.
Isso significa uma contrafação, uma fraude, que se aproveita das brechas existentes no Regulamento Eleitoral. E o mais ridículo nisso tudo é que eu, na mais recente reunião da Comissão Eleitoral, me comprometi a encaminhar ao Conselho Deliberativo uma proposta de reforma do Regulamento, para tornar democrática e transparente a eleição na ABI.
Infelizmente, essa proposta não constou da Ata, por falha minha, que esqueci de registrar esse importante detalhe, que teve aprovação de todos os participantes.
Respeitosamente,

Carlos Newton

*Mário Augusto Jakobskind, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Universidade Federal Fluminense. **André Moreau, Jornalista e Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, UFF/Fonte:  blog Jornal da ABI.

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