26.2.17

A INFLUÊNCIA ECONÔMICA CHINESA NA AMÉRICA DO SUL

ILUSKA LOPES -


A China emprestou 21,2 bilhões de dólares para a América do Sul no ano passado, segundo os números divulgado no blog do jornalista Lúcio Flávio Pinto. Embora tenha sido um montante ligeiramente inferior ao valor concedido em 2015, que foi de US$ 24,6 bilhões, é mais do que a soma (US$ 19,8 bilhões) do total de financiamentos do Banco Mundial (US$ 8,2 bilhões) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (US$ 11,6 bilhões).

Os empréstimos foram concedidos através do Banco de Desenvolvimento da China e do Banco Chinês de Exportações e Importações, ambos estatais. Desde 2005, o fluxo de financiamento chinês na América Latina superou US$ 141 bilhões (o equivalente a quase 550 bilhões de reais, 10% do PIB do Brasil).

O Brasil, aliás, foi de longe o país que mais recebeu dinheiro chinês no ano passado (US$ 15 bilhões), destinado principalmente para a Petrobras, em troca de petróleo. Os outros maiores emprestadores foram Venezuela e Equador, que fecharam 2016 com agudas recessões econômicas, o que ressalta a importância do fluxo de crédito da China para a região.

Os três países receberam 92% do total, segundo estudo do Centro de Estudos Diálogo Interamericano, realizado em parceria com a Universidade de Boston. As duas instituições coletam dados sobre a China no continente desde 2005.

O relatório observa que a Argentina, que ocupava as primeiras posições do ranking anteriormente, não registrou nenhum empréstimo em 2016. Relaciona o fato à mudança de governo, com a substituição de Cristina Kirchner pelo oposicionista Mauricio Macri na presidência da república.

Seria indicador do componente político nas regras técnicas dos empréstimos. O novo governo já fez algumas mudanças na política econômica, mas já deu sinais de que pode recorrer à China para financiar seu ambicioso plano de infraestrutura.

“A China é uma fonte fundamental de financiamento, especialmente para países como Venezuela, Equador, Brasil e Argentina, que tiveram um acesso relativamente limitado aos mercados de capital internacionais nos últimos anos”, apontou o relatório. Ele prevê que Pequim continuará sendo um “salva-vidas” para as economias mais frágeis da região.