21.2.17

CEDAE "VENDIDA", SERVIDORES SÃO AGREDIDOS E MANIFESTANTES BARBARIZADOS NO CENTRO DO RIO [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


O dia 20 de fevereiro de 2017 marca mais um triste capítulo para os direitos da população.  A água, que sempre foi tomada por um bem público, recurso natural de importância incalculável e toda a rede de coleta, tratamento e distribuição da mesma foram disponibilizadas hoje à venda para a iniciativa privada, condenando a população aos caprichos do capital internacional.

Diante da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, servidores e populares protestavam contra esse ataque direto aos direitos da população sendo a todo momento tratados como criminosos, com a presença de policiais fortemente armados e até do famigerado “caveirão”.

Após uma sessão em velocidade recorde, desconsiderando todos os aspectos legais e morais do assunto em questão, o texto que permite a venda da CEDAE foi aprovado por 41 votos a 28.

Veja como os deputados votaram:

A favor: Ana Paula Rechuan (PMDB), André Ceciliano (PT), André Corrêa (DEM), Aramis Brito (PHS), Átila Nunes (PMDB), Benedito Alves (PRB), Carlos Macedo (PRB), Chiquinho da Mangueira (PTN), Conte Bittencourt (PPS), Coronel Jairo (PMDB), Daniele Guerreiro (PMDB), Dica (PTN), Dionísio Lins (PP), Doutor Gotardo (PSL), Edson Albertasse (PMDB), Fábio Silva (PMDB), Fatinha (Solidariedade), Marco Figueiredo (PROS), Filipe Soares (DEM), Geraldo Pudim (PMDB), Gil Vianna (PSB), Gustavo Tutuca (PMDB), Iranildo Campos (PSD), Jânio Mendes (PDT), João Peixoto (PSDC), Jorge Picciani (PMDB), Marcelo Simão (PMDB), Marcia Jeovani (DEM), Marcos Abraão (PT do B), Marcos Muller (PHS), Marcus Vinicius (PTB), Milton Rangel (DEM), Nivaldo Mulin (PR), Paulo Melo (PMDB), Pedro Augusto (PMDB), Rafael Picciani (PMDB), Renato Cozzolino (PR), Rosenverg Reis (PMDB), Tia Ju (PRB), Zé Luiz Anchite (PP), Zito (PP).
Contra: Bebeto (PDT), Bruno Dauaire (PR), Carlos Minc (sem partido), Carlos Osório (PSDB), Cidinha Campos (PDT), Doutor Julianelli (Rede), Eliomar Coelho (PSOL), Enfermeira Rejane (PC do B), Flávio Bolsonaro (PSC), Flávio Serefini (PSOL), Geraldo Moreira da Silva (PTN), Gilberto Palmares (PT), Jorge Felippe Neto (DEM), Lucinha (PSDB), Luiz Martins (PDT), Luiz Paulo (PSDB), Marcelo Freixo (PSOL), Márcio Pacheco (PSC), Martha Rocha (PDT), Paulo Ramos (PSOL), Samuel Malafaia (DEM), Silas Bento (PSDB), Tio Carlos (SDD), Wagner Montes (PRB), Waldeck Carneiro (PT), Wanderson Nogueira (PSOL), Zaqueu Teixeira (PDT), Zeidan (PT).
* O deputado Dr. Deotalto (DEM) não compareceu a votação.

A princípio acreditava-se que as discussões sobre o projeto tomariam toda a semana, mas as emendas ao projeto foram rejeitadas em bloco pela bancada aliada ao governo do estado e a votação prosseguiu em ritmo acelerado.

Após a votação, o ato então se dirigiu ao edifício da CEDAE, na Avenida Presidente Vargas, porém os problemas começaram no percurso. Pessoas estranhas ao movimento da CEDAE iniciaram uma onda de distúrbios, alguns arremessando artefatos explosivos contra profissionais de imprensa e danificando grades instaladas para os eventos de carnaval na cidade.

Ao se aproximarem da CEDAE, os manifestantes se depararam com outro veículo blindado e mais viaturas guarnecidas do batalhão de choque e guardas municipais que prontamente iniciaram disparos afim de encerrar o ato democrático dos funcionários da CEDAE.

Teve início uma verdadeira caçada humana pelas ruas do entorno do edifício da CEDAE onde estudantes e populares foram detidos, alguns de forma vexatória, e encaminhados primeiramente para a 17ª delegacia e logo após movidos ainda dentro do ônibus da PMERJ para a 19ª delegacia, na Tijuca.

Durante a caçada humana promovida pelas forças do estado e município, pessoas foram feridas por disparos de balas de borracha à curta distância e muito gás foi disparado, levando pânico e correria a transeuntes.

Contagens indicam que pelo menos 19 pessoas foram detidas e mais alguns menores apreendidos, sem confirmação exata do número de detidos. Os que foram encaminhados para a 19ª delegacia foram ouvidos e liberados.

Durante essa covardia realizada contra a população, obtivemos notícia da publicação de um ofício (ao lado) enviado pelo vereador Leonel Brizola Neto (PSOL-RJ) à presidência da câmara, questionando a natureza do procedimento realizado sem que os municípios diretamente afetados fossem ouvidos e sem a devida audiência pública.