18.2.17

CRIANÇA E A INFLUÊNCIA SUBJETIVA DA TELEVISÃO

ISA COLLI -


Segundo dados do IBOPE, a televisão continua sendo o meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, inclusive pelas crianças. Todos os dias, a cena se repete: ao voltar da escola, os pequenos largam a mochila no chão e, em seguida, ligam a TV. Em média, passam 5 horas ininterruptas assistindo desenhos animados, novelas e muitas propagandas.

Certamente, em contato direto com esse mundo manipulado pela mídia, a criança é naturalmente apresentada ao consumismo compulsivo.

Desenvolver a capacidade de distinguir o real do concreto, o certo do errado, e o bom do ruim, faz parte da educação infantil. A televisão não exige nenhum esforço mental, nenhum trabalho criativo. As pessoas, principalmente os pequenos, não precisam nem pensar. A publicidade coloca um monte de coisas na cabeça dos telespectadores.

Diante da facilidade vendida pelo marketing estamos diante de uma geração tendenciosa, com problema de coordenação motoradificuldade para escrever e desatenta.

Toda criança em fase de crescimento tem necessidade de desenvolver as suas próprias habilidades, e interagir com as pessoas faz parte do amadurecimento e da evolução infantil. A TV não pode ocupar o espaço dos coleguinhas, das brincadeiras inocentes, das fantasias fabulosas, do contato com a natureza. Receber tudo pronto e não criar nada é nocivo.

Segundo Darcy Ribeiro, um dos maiores educadores do Brasil, a primeira infância é marcada pela fragilidade de suas estruturas de personalidade ainda em formação. Até os 4 anos, a criança não consegue diferenciar propagandas de programas, e, conforme as pesquisas, bastam 30 segundos para uma marca influenciá-la.

Os pais devem avaliar muito bem o tipo de influência subjetiva a que o seu filho está exposto, porque quando os seus projetos e desejos são frustrados, o sistema metabólico sofre, e pode causar graves danos ao organismo em formação.

Enquanto assistem a programas infantis veiculados pelas emissoras de TV, nos intervalos comerciais, a educação para o consumismo vai se instalando de forma poderosa. Ele dizia ainda que: “Enquanto num turno a escola educa, no contraturno a TV deseduca“.

Seguem algumas das suas orientações:
  • Em ambientes onde encontram-se crianças menores de 4 anos brincando, mantenha os aparelhos de TV desligados.
  • Lembre-se que a atenção periférica nas crianças pequenas é bastante apurada, mais até que a dos adultos. Enquanto brincam no canto da sala, vão assimilando e absorvendo como uma esponja o que acontece ao seu redor.
  • Os olhos e os ouvidos dos pequenos são muito sensíveis, portanto, não é conveniente assistir dramas, coberturas sensacionalistas de tragédias humanas e até propagandas.
  • É recomendável que a criança tenha acesso a TV somente após completar 4 anos e com a presença de um adulto para orientá-la.
  • Recorra a vídeos e DVDs para distrair as crianças pequenas. Nesta fase, sentem prazer na repetição e é importante para a sua aprendizagem. Desenhos lúdicos, vistos moderadamente, estimulam a criatividade e a fantasia.
  • É fundamental organizar os horários para assistir e fazer da TV uma forma de lazer. É importante que os pais estejam atentos para o que os seus filhos estão vendo na TV ou na Internet e quanto tempo demoram nessas atividades.
  • Proibir os filhos de assistir TV não é conveniente. O que se pode fazer é participar comentando sobre os programas com seus temas, enfim, estimular uma atitude crítica.

"Não é uma tarefa fácil controlar o uso indiscriminado da televisão, mas, faz-se necessário.  O ideal, é reservar um tempo de qualidade para o seu filho. O bom relacionamento familiar é fundamental para a saúde mental e física, intelectual e ética, espiritual e emocional pueril. A primeira infância passa rapidamente e o tempo, a atenção e o carinho, doados nestes anos iniciais, irão acompanhá-los por toda a vida".