16.2.17

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA E FIM DA PM – PARTE 5

ANDRÉ BARROS -


A combinação dessas duas propostas são fundamentais para iniciarmos um debate real sobre a melhoria da segurança pública. Muitos pensam que estamos defendendo a liberação da maconha e o fim da polícia, mas é exatamente o contrário.

A maconha já é liberada, podendo ser encontrada, vendida e comprada em todos os lugares e por todas as classes do Rio de Janeiro. A proposta de legalização da maconha é o início da proposta de legalização de todas as substâncias proibidas. O que na realidade se faz necessário é a regulamentação da plantação, industrialização, comércio e consumo para todos os fins. Num mercado liberado como o atual, uma criança pode comprar maconha em qualquer lugar, o que não aconteceria num mercado legalizado. Por exemplo, se teria o direito de plantar maconha em seu próprio domicílio para fins não comerciais, evitando que as flores virassem mercadoria. Isso seria um primeiro passo para enfraquecer o comércio ilegal. Temos de começar a procurar soluções reais para tirar armas pesadas das mãos de crianças, adolescentes, jovens, negros e pobres escravizados pelo tráfico.

A proposta do fim da polícia militar não é do fim da polícia, mas da melhoria da segurança pública. A PM não tem ligação com as demais polícias, sequer tomam ciência do conteúdo dos inquéritos policiais e é totalmente compartimentada internamente, gerando uma enorme divisão. O batalhão não interage com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do mesmo local. O Batalhão de Polícia de Choque e o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) sequer comunicam às polícias do local quando realizam suas incursões nas favelas. Entram no horário em que mães estão levando seus filhos ao colégio, atirando para todos os lados, sem qualquer investigação. A polícia precisa ser uma só, toda civil. Polícia não deveria ser composta por soldado, cabo, sargento, tenente, capitão, major e coronel, mas sim por investigador, inspetor, agente, detetive, escrevente e delegado.

Essa proposta viria para melhorar a segurança pública, com uma polícia bem remunerada, menor e mais preparada. A polícia militar não pode ter sindicato, é regida pela hierarquia e disciplina. São trabalhadores que não podem reivindicar melhores condições de trabalho. Essa é uma das grandes razões de uma greve que é uma verdadeira farsa, pois, como não podem lutar, suas esposas e companheiras estão desempenhando este papel. Estão sendo responsabilizados pela falta de segurança pública e jogados contra a população, quando sabemos que, com eles nas ruas, a segurança pública também está péssima. Não é possível ter segurança com toda esta terrível desigualdade social, onde a morte de negros e pobres tem suas raízes nos capitães do mato e na escravidão. A questão da segurança pública não é só de segurança pública. Quem só sabe de segurança pública não sabe de segurança pública, pois estamos tratando de uma questão política. Qual é o papel da segurança nesta sociedade racista e dividida em classes?

Agora estão sendo usados para assaltarem as águas do Rio de Janeiro. Querem calma nos batalhões e repressão policial para garantir a entrega da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) em votação na ALERJ (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Privatização). Não é possível que o governo federal não possa ajudar o nosso estado, depois de toda a picaretagem nacional da Copa do Mundo e das Olimpíadas nesta cidade! Querem é aproveitar a situação para um negócio da China, tomar a nossa água. Um dos bens mais cobiçados e cada vez mais raros no mundo.

Se água demais mata a planta, imagine a planta sem água!

Leia também:

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA E FIM DA PM – PARTE 1

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LEGALIZAÇÃO DA MACONHA E FIM DA PM – PARTE 3

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA E FIM DA PM – PARTE 4