22.2.17

MANOBRAS E JOGADAS DO ESQUEMA QUE TEME O DEBATE

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Efetivada a votação da privatização da CEDAE, numa jogada característica de próceres do PMDB para conseguir a aprovação driblando as manifestações contrárias a medida, os meios de comunicação comerciais conservadores continuarão evitando divulgar as isenções fiscais determinadas pelo governador do Estado, Luis Fernando Pezão, que não se constrange em seguir a pauta do esquema golpista, desde que o mesmo lhe garanta a continuidade no cargo que ocupa e está sob ameaça de impedimento, conforme decidiu o TRE-RJ e evitar também o pedido de impeachment protocolado pelo PSOL na Assembleia Legislativa, que o presidente da Casa, o aliado peemedebista Jorge Picciani, provavelmente não levará adiante.

A privatização da CEDAE determinada pelo Ministro da Fazenda Henrique Meireles e seguida por Pezão e seus aliados na Assembleia Legislativa segue na contramão de outras cidades do mundo, como Paris, Barcelona, Buenos Aires, Sevilha, Nápoles, Atlanta e Berlim, que estão retomando o controle sobre o serviço pelo Estado devido às altas taxas cobradas pela iniciativa privada e a piora das condições nos locais mais pobres por não haver interesse de empresários em investir em áreas carentes. Só querem mesmo o filé mignon da CEDAE. Sempre foi assim em outras áreas privatizadas.

Da mesma forma que omite informações sobre as isenções fiscais determinadas por Sérgio Cabral e Pezão, a mídia comercial conservadora seguirá noticiando que a economia brasileira está se recuperando e já dá sinais claros que supera as dificuldades.

Não é o que afirmam economistas que não se alinham ao projeto que o governo golpista leva adiante. Mas esses são ignorados, já que se forem divulgadas suas opiniões com o mesmo espaço dos defensores do modelo poderão perder força no debate e até despertar segmentos de incautos que por enquanto se deixam levar por mentiras e meias verdades.

Vale então conhecer o que afirma o professor João Sicsú, do Instituto de Economia da UFRJ e que foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do IPEA. Para ele, a política econômica levada adiante no Brasil é "velha e deve garantir um retorno para a posição que o país estava há 15 anos ou mais".

Ou seja, voltar aos tempos de Fernando Henrique Cardoso, que segue com amplos espaços na mídia comercial conservadora defendendo o que já fez em dois mandatos e doou empresas estatais a preço de banana e queria fazer o mesmo com a Petrobras, mas acabou impedido pela reação patriótica dos petroleiros.

Sicsú ainda alerta que "não há horizonte de otimismo para a economia brasileira" e acredita que "uma nova recessão deve ser esperada para este ano, já que falta um plano de recuperação da economia e de combate ao desemprego".

Para os que não se deixam iludir pelo blá-blá-blá midiático conservador, é preciso prestar atenção para o alerta e confrontar com opiniões contrárias que afirmam estar à economia brasileira levada adiante pelos ocupantes ilegítimos do governo federal no caminho mais do que certo.

A cobrança dos resultados, a serem apresentados sem subterfúgios, deve ser feita daqui a pouco tempo. Mas o que se lamenta é que no momento atual não se dá espaço a vozes divergentes do que vem sendo divulgado diariamente pelos jornalões e telejornalões.

*Mário Augusto Jakobskind, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Universidade Federal Fluminense/Fonte:  blog Jornal da ABI.