12.3.17

1 - AO LADO DE TEMER, GOVERNADOR DA PARAÍBA ELOGIA DILMA E LULA EM TRANSPOSIÇÃO; 2 - “TEMER, O ILEGÍTIMO, NÃO PODE SER POPULAR COM OBRA ALHEIA”, AFIRMA DILMA; 3 - TEMER É VAIADO EM INAUGURAÇÃO DE OBRAS NO SÃO FRANCISCO [VÍDEO]

REDAÇÃO -

Em meio a um campo minado, com poucos aliados por perto, o governador Ricardo Coutinho (PSB) fez um discurso efusivo de defesa dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, e ainda do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT-CE), durante a inauguração das obras da transposição. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (10), em Monteiro, com a presença do presidente Michel Temer (PMDB). O discurso, não transmitido pela estatal NBR por problemas técnicos, foi no sentido contrário ao do seu desafeto político, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), e também de Temer, que se restringiu a classificar como elogiável o trabalho dos que vieram antes dele.

No caso de Cássio, ele elogiou desde o imperador Pedro II até os ex-ministros Cícero Lucena e Fernando Catão. Ambos se dedicaram ao projeto durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Não deixou, vale ressaltar, de citar as importâncias de Lula e Dilma, mas lembrou que a petista atrasou a obra. Ainda aliviou o pé nas críticas ao governo petista, atribuindo o atraso a fatos externos, para não melindrar o ministro da Integração Nacional durante o governo dela, o hoje senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que estava a poucos metros dele no palanque. Isso não o impediu de chamar de corrupto o governo que antecedeu Temer.

Já Ricardo lembrou que Lula nasceu em Pernambuco, mas que sempre foi um parceiro da Paraíba. A Ciro também se referiu como um grande brasileiro e que lutou pela transposição. Lula e Ciro, vale ressaltar, são virtuais candidatos a presidente da República, em 2018. Sobre Dilma, ele lembrou que o governo dela foi responsável pelo pagamento de 70% da obra. Recordou também que o principal ator da transposição foi o povo nordestino. Entre os personagens, recordou do padre Djaci Brasileiro, que foi várias vezes a Brasília com a tradicional cruz de lata cobrar a retirada do projeto da transposição da gaveta.

Do lado de fora, longe da solenidade, centenas de pessoas se espremeram nas barreiras de contenção, com cartazes em que se lia volta Lula e gritavam “Fora Temer”. Os gritos eram ouvidos em vários momentos do discurso e foram recepcionados pelo presidente Temer como manifestação e exemplo de democracia. Cássio Cunha Lima descreveu os manifestantes como “inocentes úteis”, sugerindo que eles foram mobilizados pela militância simpática ao ex-presidente. (via blog de Suetoni Souto Maior no Jornal da Paraíba)

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“Temer, o ilegítimo, não pode ser popular com obra alheia”, afirma Dilma

A presidente eleita Dilma Rousseff cumpriu agendas públicas neste sábado em Genebra, na Suíça, e bateu duro em Michel Temer, que chegou ao poder graças a um golpe parlamentar liderado por políticos corruptos que pretendiam se salvar da Lava Jato, como Eduardo Cunha e seus aliados.

No discurso, Dilma criticou Temer por ter inaugurado um trecho da transposição do São Francisco e tratado a obra como filha de mãe solteira. “Quem primeiro pensou nessa obra foi o imperador Pedro 2º. Mas quem implementou isso foi o Lula”, afirmou.

Ela também chamou Temer de “ilegítimo” e disse que ele “não pode tentar melhorar sua popularidade em cima da obra alheia.”

Dilma também criticou a imprensa brasileira, por tentar acobertar a tragédia econômica produzida pelo golpe. “Embora a imprensa diga que a situação econômica esteja melhorando, tanto a crise econômica quanto a crise política se aprofundaram”, afirmou. “Havia uma versão pré-processo de impeachment que bastaria a minha saída para um processo de melhora da economia. Mas as razões profundas da crise econômica foram subestimadas.”

Dilma, no entanto, fez uma autocrítica. “Achei que, diminuindo impostos do setor privado, teria um aumento dos investimentos. Me arrependo disso. Fragilizei o lado fiscal e, ao em vez de investirem, eles aumentaram a margem de lucros”, ponderou.

Sobre as delações da Odebrecht, ela aproveitou para alfinetar os políticos que promoveram o golpe e que estão todos enrolados até o pescoço por terem pedido doações milionárias e clandestinas.

“Jamais pedi propina nem recebi propina”, afirmou. Enquanto Aécio Neves foi delatado por ter recebido R$ 9 milhões do caixa dois da Odebrecht, Temer tratou de uma doação de R$ 10 milhões, no Palácio do Jaburu, que também saiu do departamento de propinas da empreiteira.

“O sistema político brasileiro vai ser investigado, mas nenhum partido apenas pode ser chamado de corrupto. Duvido que vão continuar dizendo que o PT é corrupto. Porque não sobra ninguém nos outros”, disse ainda Dilma. (via 247)

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Temer é vaiado em inauguração de obras de transposição do São Francisco