8.3.17

ADVOGADOS SÃO BARRADOS EM VISITA AO ALMIRANTE OTHON

EMANUEL CANCELLA e ANDRÉ DE PAULA -


Nesta terça, 7 de março, por volta das 14h, os advogados André de Paula, membro da Anistia Internacional, e Emanuel Cancella dirigiram-se às instalações militares dos Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro, com a intenção de visitar o Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Segue o relato da visita frustrada:

Fomos muito bem recebidos por todos os recrutas e oficiais, mas depois de nos identificarem e nos fornecerem os crachás de visitantes, chegando a autorizar a entrada de nosso veículo, fomos informados de que a visita ao almirante estava desautorizada, por ordem de um desembargador e do próprio almirante Othon.

A informação foi repassada pelo capitão de Corveta Ribeiro. Estranhamos a negativa, pois é prerrogativa dos advogados a visita a presos em estabelecimentos civis e militares. O advogado do almirante, Fernando Fernandez, procurado hoje por André de Paula e Emanuel Cancella, alegou desconhecer a proibição.

Frustrados com o impedimento da visita, deixamos de presente ao almirante, o livro “A Outra Face de Sérgio Moro” e artigos que retratam sua injusta condenação.

O ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro Silva ficou conhecido como o pai da energia nuclear no Brasil. Entre outros armamentos bélicos fundamentais para a defesa nacional e a soberania energética do país, estava construindo um submarino atômico, com a missão é proteger o pré-sal, o maior tesouro brasileiro.

Othon, hoje com 78 anos de idade, cientista renomado e mundialmente reconhecido, foi condenado a 43 anos de prisão, o que equivale a prisão perpétua,  pelos alegados crimes de “corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa”,  durante as obras de construção da usina nuclear de Angra 3. O almirante,ex-presidente da Eletronuclear, foi condenado e preso pela Operação Lava Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro.

Como brasileiros e nacionalistas, insistimos em perguntar: por que a Lava Jato não investiga o governo do tucano FHC na Petrobrás, apesar das inúmeras delações. Por que a Lava Jato não investiga Furnas, onde o tucano Aécio Neves que já foi delatado 7 vezes, por receber propina, através de sua irmã?

O mais grave: por que a Lava Jato prende o Almirante Othon, condenado, de fato, à prisão perpétua – como um Tiradentes injustiçado – supostamente por “crimes” que, na sua totalidade, envolvem  equipamentos para uso nuclear sem licitação?

Ora, essa prisão é completamente ilegal. De acordo com a Lei 8.666/93, em seus artigos IX   XIX,  a Eletronuclear estaria isenta da obrigatoriedade de fazer licitação, na aquisição de materiais nucleares. No entanto, foram as compras autorizadas pelo almirante Othon as justificativas usadas para condená-lo a 43 anos de prisão!

Como se explica, então, que o juiz Sérgio Moro se omita, mesmo sendo acionado por um petroleiro, em denúncia  junto ao Ministério Público Federal (MPF), diante da venda de ativos da Petrobrás sem licitação, que está sendo encaminhada pelo atual presidente da empresa, o tucano Pedro Parente? Essa denúncia foi formalizada em novembro de 2016 e, provavelmente, será arquivada.

Os “negócios” ilegais de Parente envolvem valores muito maiores que o chamado “petrolão”. Parente está destruindo a Petrobrás, impunimente. E sem licitação. O campo gigante de Carcará no pré-sal, por exemplo,  foi repassado a empresa estrangeira ao preço de um refrigerante o barril.

O almirante Othon tinha total respaldo legal para tocar a Eletronuclear, quando presidiu a empresa, nos governos de Lula e Dilma, principalmente no que concerne às medidas necessárias para  a proteção do pré-sal. Sua prisão se deu tão logo assumiu o governo golpista que é subserviente aos Estados Unidos.

Foi preso por ordem de um juiz de primeira instância que  investiga a Petrobrás de forma seletiva, pois se negou a investigar as irregularidades praticadas na empresa durante  os governos de FHC e fecha os olhos, cinicamente, a todas as criminosas negociatas do também tucano Pedro Parente.

O juiz Moro chamou os procuradores estadunidenses para investigar a Petrobrás e mandou os corruptos da companhia servirem de testemunhas nos tribunais americanos contra a Petrobrás.

Moro foi premiado pelas Organizações Globo,cúmplice do golpe. Em  editorial publicado em dezembro de 2016, o jornal dos Marinho publicou que  “O pré-sal pode se transformar em patrimônio inútil”. Não é à toa que Moro também recebeu fartos elogios e premiações, nas revistas Fortune e Time.

Não temos qualquer prova para afirmar que Sérgio Moro é agente da CIA. Seria leviano afirmar, categoricamente. Mas, sem dúvida, ele não está a serviço do Brasil!

Assinam este relato:

- André de Paula, membro da Anistia  Internacional e advogado da Frente Internacionalista dos Sem Teto(Fist).

- Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, integra a coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), sendo autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro”.