24.3.17

BALANÇO CONTÁBIL MANIPULADO NA PETROBRÁS

EMANUEL CANCELLA -


Os balanços financeiros na Petrobrás, na gestão de Pedro Parente, têm sido principalmente no sentido de justificar a venda de ativos e para justificar a retirada de direitos dos trabalhadores.

Chama atenção o fato de a empresa informar que efetuou vendas de ativos em 2016 no montante de US$ 13,6 bilhões e, ao mesmo tempo, dizer que a dívida caiu apenas US$ 4 bilhões (de US$ 100,4 bi para US$ 96,4 bi). Será que Parente, além de liquidar a Petrobrás, está vendendo, como as casas Bahia, em dez vezes sem juros?

Outro fato que chama atenção no balanço é a importação de derivados. Os trabalhadores, nas refinarias, reclamam que os gerentes mandam baixar a carga no refino. Sendo que carga chegou no máximo a 79,7% em 2016. Mandam baixar a produção e depois esses números são usados para dizer que os trabalhadores não atingiram a meta para efeito de PLR.

A empresa diminui a capacidade de refino e paralelamente aumenta a importação de derivados, o que favorece a empresa privadas. Os principais importadores são a Ipiranga (Ultra/Itau) e a Raizen (Shell/Cosan). Será que estão engordando o caixa destas empresas (Ipiranga e Raizen) para a venda da cereja do bolo – a BR Distribuidora?

Se Pedro Parente estivesse preocupado com o futuro da Petrobrás estaria construindo refinarias para atingirmos a autossuficiência no refino. Fica claro que sua gestão quer mesmo é importar derivados para favorecer empresas privadas.

O pré-sal, o maior tesouro da Petrobrás, está para ser entregue aos gringos como foi o campo de Carcará, “vendido” sem licitação e a preço de um refrigerante o barril. Pedro anuncia vários leilões dos campos do pré-sal. Conta com o apoio da Lava Jato, já que não toma qualquer providência contra esse bota-fora de bens públicos. Aliás, essa proteção a entreguistas também percebeu-se quando a Lava Jato fez vista grossa à gestão do tucano FHC na Petrobrás, apesar das inúmeras denúncias.

A gestão atual  do também tucano Parente foi denunciada formalmente ao MPF, em novembro de 2016, até hoje sem resposta (2). Não podemos esquecer que Parente já é réu em ação movida pelos petroleiros quando ministro de FHC (1).

Agora o  TCU critica mas autoriza a liquidação de Parente na Petrobrás. Esse mesmo TCU que abriu processo contra a presidente Dilma, por conta das pedaladas fiscais, tirando Dilma do poder. Importante frisar que os próprios peritos do Senado federal negaram a prática de pedaladas por parte de Dilma. E ainda, pedaladas fiscais agora é lei.

Voltando aos balanços financeiros da empresa, o terceiro no vermelho, que têm sido uma peça fundamental  na política entreguista de Parente, além de liquidar com a Petrobrás, retira direitos consagrados da categoria, como a PLR, abono, Beneficio Farmácia, MAS, entre outros.

Até o café da manhã obrigatório por lei nas unidades operacionais está sendo cancelado por Pedro Parente.

Ou os petroleiros param o Pedro ou ele acaba com a Petrobrás!

Fonte:

*Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, integra a coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), sendo autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro”