10.3.17

BANQUEIROS COMUNISTAS E A REVOLUÇÃO SOCIAL BRASILEIRA

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -

Depois do fracasso da União Soviética e da desilusão com o comunismo na maior parte do mundo, o Brasil está fazendo ressurgir o fantasma vermelho em pleno alvorecer deste século XXI, que se acreditava livre de selvagerias sociais. O portador da nova bandeira bolchevique é ninguém menos do que o Partido Comunista dos Banqueiros, que encontrou na elite dirigente atual o instrumento para destruir os avanços sociais, em especial nos campos previdenciário e trabalhista, com o inevitável estímulo à revolta social.

Como explicar que alguém como Paulo Skaf, da Fiesp, um analfabeto político que opera no submundo das relações sociais paulistas em nome dos bancos, apontado como beneficiário de propina na Lava Jato, pode se apresentar como paladino de reformas trabalhistas? Que moral ele tem para isso? E em nome de quê? Da melhora da eficiência e da produtividade da economia? Mas isso é um embuste. O que se pretende é reduzir o custo da mão de obra para acentuar a concentração indecente de renda no Brasil em favor do capital.

No caso da Previdência, a proposta colocada em pauta pelo Governo Temer representa um recuo de mais de um século no processo civilizatório. No século XIX, embora tenha colocado na clandestinidade o Partido Socialista Alemão, Bismarck teve a prudência de criar o sistema previdenciário como uma espécie de compensação. Ele era um estrategista. Sabia que o ímpeto revolucionário dos trabalhadores – lembram-se de Marx, “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!” – seria arrefecido se lhes fosse garantida segurança econômica.

Os empresários revolucionários brasileiros com seus títeres no poder não estão muito preocupados com isso. Que se destrua o aparato de proteção social ao trabalhador pois, uma vez assegurados os “direitos” do investidor e dos bancos, a polícia (mesmo sem salário) toma conta da questão social. O plano é esse. E está se desenrolando aos nossos olhos com clareza cristalina. A canalha empresarial e a canalha governamental tem um propósito único: reduzir o espaço do setor público em todas as áreas a fim de criar espaço para o setor privado.

Não há receita melhor para fomentar o espírito revolucionário das massas. É claro que, no curto prazo, não há risco. Nada acontecerá. Nos anos 20 do século passado nada aconteceu de relevante na Europa, exceto a emergência de figuras ridículas como Mussolini e Hitler. Os partidos comunistas não eram levados muito a sério, apesar do brilhantismo intelectual de um Gramsci. O que contou mesmo, na década seguinte, foram as consequências dos ajustes fiscais impostos pelos governos de centro sobre uma sociedade economicamente extenuada.

No nosso caso estamos diante da ganância infinita dos financistas e de sua suprema confiança em que o Governo resolverá na marra qualquer princípio de rebelião, como acabou de acontecer, por exemplo, em Vitória. Obviamente nenhum especulador financeiro se sentirá responsável pela lenta degradação do tecido social brasileiro e pela emergência de crescentes tumultos sociais. Na qualidade de Partido Comunista dos Banqueiros, eles fazem a revolução em favor de si mesmos, passando como trator sobre os interesses da sociedade. Se isso gerar uma revolução verdadeira, será para outro tempo!