13.3.17

O DESASTRE DO PIB NO SEGUNDO ANO DA DEPRESSÃO BRASILEIRA

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Circula na internet o boato de que o IBGE alterou para 3,6% a contração do PIB no ano passado a fim de parecer menor que os 3,8% de contração em 2015. Isso é pura má fé misturada com elevado grau de estupidez. Só quem não conhece a estrutura do IBGE e de seu corpo funcional pode dar crédito ao que seria uma complexa operação que resultaria numa fraude de pequeno significado quantitativo, mas que seria rapidamente descoberta pelos próprios funcionários da instituição. Eles não teriam grande dificuldade em descobrir o lance.

Entretanto, a verdadeira estupidez se manifesta da parte de quem criou o boato. A contração de 3,6% do PIB, depois de uma queda de 3,8%, é um mergulho gigantesco da economia. Estamos falando em 7,4% de contração acumulada, que rapidamente caminha para os 10% ou mais até o fim desse ano. A economia brasileira encontra-se num estado de falência, e o atual Governo nada faz para reverter essa situação. Não temos investimento público por ideologia, e nem investimento privado por precaução.

Há uma ilusão entre economistas, inclusive progressistas, no que diz respeito às possibilidades de recuperação no próximo ano. Vejo alguns deles argumentarem que a economia vai-se recuperar mesmo que seja por mero efeito estatístico. Isso é uma arrematada bobagem. Não há efeito estatístico de crescimento sem investimento. A economia é uma máquina que só funciona na base de investimentos públicos e privados, sendo que o Governo Temer tem um contrato com a contração do investimento público e o desestímulo ao privado.

Todos os fatores de crescimento operam de forma contracionista. O alto desemprego, a queda de renda, o saldo comercial via commodities (doença holandesa), a alta taxa de juros real, a valorização do câmbio, a obsessão com a redução do déficit público, contração da Petrobrás e Eletrobrás – tudo isso conduz ao aprofundamento da recessão. Como seria possível que, nesse ambiente, houvesse retomada da economia no próximo ano? Esqueceram-se de que foi aprovada no Senado a PEC-55, de contração dos gastos públicos por vinte anos?

Vem aí agora a PEC da Previdência. Também ela é essencialmente contracionista. Destina-se a cortar gastos e limitar direitos. Juntando tudo isso que foi dito até aqui, e buscando um objetivo básico, temos um propósito neoliberal singelo, escondido do grande público, que estimula a recessão. Tudo o que se faz tem o propósito único de reduzir o espaço do setor público para atender demandas sociais – notadamente s saúde, educação, previdência – e ampliar de forma descarada, e onerosa, o espaço do setor privado, que primeiro vai conquistar o direito de exploração dos setores e depois apresentará a conta.