28.3.17

PAU QUE DÁ EM CHICO TAMBÉM DÁ EM FRANCISCO. APUNHALADOS PELO GOVERNO, EMPRESÁRIOS CRITICAM AUMENTO DE IMPOSTOS

Por ESTEFANIA DE CASTRO -


Depois de comemorarem a aprovação do projeto da terceirização, os empresários brasileiros iniciaram uma grita ao tomarem conhecimento da proposta do governo para salvar as contas públicas. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve anunciar até amanhã (29) um novo aumento nos impostos, entre os tributos que serão reajustados está a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os preços da gasolina e do diesel.

O presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, se reuniu ontem (27) com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para sugerir medidas que possam compensar o aumento de tributos.

Segundo o líder dos empresários, o aumento seria nocivo e contraditório, num momento em que as empresas, não apenas a indústria, estão debilitadas, com o desemprego ainda alto. Portanto, um eventual aumento de tributos põe em risco a recuperação da economia.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também correu o pires na semana passada para pedir ao ministro medidas de simplificação tributária. Os empresários querem, por exemplo, mudanças nas regras do Regime de Regularização Tributária do governo, para que elas sejam “mais assimiláveis pelas empresas”. Andrade ainda se posicionou contra o possível aumento de impostos.

O governo alega ter um rombo de R$ 58,2 bilhões para cobrir e conseguir fechar o ano com um déficit primário de R$ 139 bilhões. A ideia, segundo o ministro Meirelles, é agir nas duas pontas: cortar despesas e adotar medidas para aumentar a receita, entre elas uma possível alta de impostos.

Mesmo cortando direitos dos trabalhadores e ajudando o setor econômico, o governo não consegue fechar as contas, porque gasta mais do que arrecada. A pressão aumenta: de um lado os trabalhadores, e de outro os empresários. A única certeza que fica é de que o trabalhador não pode, mais uma vez, pagar o PATO.

* Estefania de Castro, jornalista sindical