4.3.17

SUPERESCOLAS DE SAMBA/SA DESFILAM PARA TENTAR SUPERAR A DESORGANIZAÇÃO QUE DEIXOU UM RASTRO DE MUITA TRISTEZA E DOR

ALCYR CAVALCANTI -

O desfile das escolas vencedoras do Carnaval 2017 começou com a Beija Flor de Nilópolis sexta colocada e teve seu final com a Portela, escola com mais títulos. O Carnaval 2017 vai ficar marcado como o Reino da Desorganização que deixou um rastro de muitos feridos em vez de lembranças de sonhos e só alegria. Desde a invenção de carros alegóricos enormes, da invasão das estrelas globais, dos sambeiros e popozudas tendo com meta agradar a transmissão televisiva com imagens para  todo o planeta que o desfile deixou de lado a espontaneidade e alegria espontânea dos verdadeiros sambistas para se transforma em uma indústria perfeitamente inserida na fria lógica do capital.

Arquivo Google
As escolas do Grupo Especial necessitam de alguns milhares de dólares para fazer um bom desfile dentro das regras atuais. Algumas modificam seus enredos para conseguir patrocínio ao adaptar o desfile para conseguir dinheiro suficiente para o desfile. Enredos estapafúrdios que nada tem a ver com nossa cultura são inseridos para satisfazer o dono do capital.


O capitão do Exército Ailton Guimarães Jorge um dos "notáveis do Samba" que foi durante muito tempo presidente da LIESA em entrevista no ano de 1988 para a Folha de São Paulo fez uma apologia ao Consenso de Washington: "A nova organização se insere na filosofia global de privatização da economia com o afastamento do Estado daquelas atividades que tanto o desgastam em detrimento de outras funções de maior densidade social e que podem ser desenvolvidas pela iniciativa privada". A escola passa  então a funcionar como uma empresa e não mais como uma "Escola de Samba" ou como um "Grêmio Recreativo", onde somente o faturamento interessa. Embora o ponto alto do Carnaval, o desfile do Grupo Especial seja apenas um negócio rentável para alguns, os verdadeiros sambistas de raiz e a chamada "Velha Guarda" conseguem ainda manter a chama e de fato "vestem a camisa" de sua escolas e dão seu sangue e seu suor para apresentação na Passarela do Samba onde durante alguns minutos seus sonhos são realizados. A emoção de um mestre sala e de sua porta bandeira transcendem a fria lógica que rege atualmente os desfile das escolas de samba do carnaval carioca.