26.3.17

TERCEIRIZAÇÃO A TODO VAPOR

Por PAULO METRI -


O poder econômico conseguiu mais uma vitória neste Congresso de figuras tristes, desvinculado da sociedade e completamente subserviente ao capital. Um Congresso, que é contra seu próprio povo, só é explicado pela baixa conscientização política deste povo, consequência da atuação de um cartel de mídia, tentáculo do capital. Este Congresso, que pode ser legal, mas é ilegítimo, aprovou, sem delonga alguma, uma lei que permite a terceirização de inúmeras atividades antes preservadas à boa execução. A partir deste caos, com o intuito de acordar a população, sugiro algumas outras maldades que este Congresso e o Executivo não menos nefasto podem decidir, aperfeiçoando o desastre.

Para que as Forças Armadas tradicionais? Vamos terceirizá-las. Têm tantos mercenários baratos no mundo, psicopatas ávidos por confrontos. Vai ser uma boa economia para os cofres públicos. Além do mais, não existe mais patrimônio nacional genuíno para ser guardado. Os congressistas, com raras exceções, e Executivos neoliberais, incluindo o atual, já o transferiram. Há muito patrimônio, geograficamente localizado no Brasil, que, hoje, pertence a empresas estrangeiras. As nossas Forças, depois de tantos orçamentos ridículos, ano a ano, não podem ser mais consideradas como “forças”, mas, também não precisam mais defender o povo. Dentre o povo brasileiro, hoje, só existem os escravos e os prepostos dos dominadores, que nunca sofrerão agressões externas, pois são fatores de produção dos alienígenas.

Neste ponto, lembro-me do poema “No caminho com Maiakovski” do brasileiro Eduardo Alves da Costa. As Forças Armadas, que ficaram tão caladas quando o petróleo nacional foi escancarado, a Vale foi vendida por migalhas, a vigilância da Amazônia foi entregue a empresa estrangeira, a presidente da República foi grampeada e o nosso Pré-Sal foi doado, hoje não têm mais a possibilidade de ser guardiães da inexistente soberania nacional. Ficaram presas a interpretações erradas do conceito de “Ordem e Progresso”, como, por exemplo, que manifestações contra o “entreguismo” era a sublevação da “Ordem” e que multinacionais instaladas no país representavam o “Progresso”. Deviam ter se espelhado no general Horta Barbosa, no Almirante Álvaro Alberto e no Brigadeiro Francisco Teixeira.

Sugiro que a Quarta Frota, que já tem a incumbência de garantir a navegação no Atlântico Sul para os interesses dos Estados Unidos, seja acionada para garantir a segurança do Pré-Sal. Afinal de contas, com a nova política para esta área, ocorrerá um número cada vez maior de petrolíferas estrangeiras na área. Como se trata da segurança de empresas e patrimônios estrangeiros, chamar uma terceirização gratuita é uma enorme economia.

Como a soberania nacional não é mais relevante e o serviço diplomático é caro, as atividades do Itamaraty poderiam ser terceirizadas também. Como o governo brasileiro tem, atualmente, relações carnais com o governo dos Estados Unidos, os embaixadores deste generoso país cuidariam dos poucos interesses do Brasil.

Como o destino pode ser irônico, o inteligente empresariado nacional, com sua visão de curto alcance, não se deu conta que, com a terceirização extremada, restará menos recursos para o consumo das famílias, o que repercutirá na demanda agregada e, consequentemente, no PIB. Podem, então, descobrir que a rentabilidade das empresas seria maior se tivessem permanecido com os empregados mais caros e competentes.

Uma questão de menor valor para ser citada, chegando a ser um desperdício de espaço neste artigo, é a questão ética. As tristes figuras do Congresso usaram a artimanha de reviver um projeto de lei de autoria do governo de FHC, cujas posições políticas foram refutadas quatro vezes nas urnas. Em uma compreensão abrangente do termo corrupto, os atuais congressistas governistas, se já não são denunciados como corruptos, são porque se opuseram ao desejo do povo. Simplesmente, esqueceram de arquivar o projeto, mas os algozes do povo, sempre prontos para inovar em suas maldades, o aproveitaram.

Têm horas que fico pensando como deve funcionar a cabeça destes nefastos seres. Eles sabem que este governo, aliás, com mandato roubado, só será lembrado por ter sido um dos piores da história da subserviência do país ao capital, em detrimento da sociedade. Pergunte a um brasileiro, que não seja um professor de História, mas tenha algum conhecimento: “O que você já ouviu falar do governo Dutra?” Muitos deles responderão: “Ele importou ioiô.” Assim, após a decantação providenciada pelo tempo, do governo Temer só se saberá que foi composto de carrascos do povo.

Será que ele acha que foi bastante inteligente ao conseguir articular um golpe contra quem representava legitimamente o povo? Será que ele não notou que muitos devem ter sido sondados para golpes de outros tipos e não se dispuseram a fazer papel tão indigno? Será que ele não sabe que está sendo usado para fazer tudo que o capital e interesses estrangeiros querem e, logo depois que findar o mandato, será esquecido por todos, inclusive pelos atuais participes do butim? Será que ele não imagina que seu filho ao crescer ouvirá constrangedoras verdades sobre o seu pai?

Como a vida continua, apesar destes miseráveis e de suas ações deletérias, sugiro à sociedade continuar lutando. Para os identificadores de comunistas, esclareço que sugiro a luta não física, mas toda ação permitida pela lei, como greve, redação de panfletos, jornais e outros, manifestações, discursos, acesso à população por canais alternativos, tipo internet. Tem um aspecto doloroso, mas que traz esperança: os maus tratos dos “coisas ruins” são tão grandes que ajudam a conscientizar.

*Texto enviado por e-mail. Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia.