17.4.17

1 - FOTO DE REUNIÃO NO ALVORADA PARA FECHAR TEXTO DE REFORMA DA PREVIDÊNCIA CHAMA ATENÇÃO PELA QUANTIDADE DE CORRUPTOS; 2 - CARDOZO DIZ QUE “CONFISSÃO” DE TEMER EM ENTREVISTA À BAND SERÁ USADA COMO PROVA NO STF [VÍDEO]

REDAÇÃO -


Às vésperas da apresentação do relatório da reforma da Previdência, Michel Temer recebeu no domingo, 16, à noite, no Palácio da Alvorada, ministros, técnicos do governo e líderes da base aliada para discutir as mudanças estudadas pelo relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

O governo já concordou com flexibilizações em cinco pontos da reforma, mas a equipe econômica garante que a “espinha dorsal” da proposta será mantida.

A foto da reunião chamou a atenção pela quantidade de fichas sujas. Além de Temer e de Henrique Meirelles, estavam lá Antonio Imbassahy (o “Almofadinha da Odebrecht), Moreira Franco (o “Angorá”), Rodrigo Maia (o “Botafogo”), Eunício Oliveira (o “Índio”), Romero Jucá (o “Caju”), André Moura e Aguinaldo Ribeiro.

Al Capone foi visto saindo pela cozinha na ponta dos pés porque achou a coisa muito barra pesada. (via DCM)

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Cardozo diz que “confissão” de Temer em entrevista à Band será usada como prova no STF

A defesa de Dilma Rousseff apresenta nesta segunda-feira, 17, ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição para incluir a entrevista de Michel Temer à TV Bandeirantes, na noite de sábado, como fato relevante que reforça os argumentos de que o processo de impeachment teve desvio de finalidade em sua origem. “A confissão do senhor Michel Temer é fato novo e será incluído no mandado de segurança que está tramitando no STF questionando a legalidade do processo de impeachment”, diz o advogado José Eduardo Cardozo. “É a prova de que Cunha abriu o processo por vingança”.

Na entrevista concedida a Band, Michel Temer confessa que, em 2015, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, admitiu que só aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff porque o PT teria se recusado a dar-lhe os três votos no Conselho de Ética, que permitiriam sua absolvição e preservação do mandato parlamentar. Na época, o Conselho de Ética da Câmara apurava a quebra de decoro de Cunha. Ele foi flagrado mentido e jurando não ter contas na Suíça. “A prova de que Dilma foi vítima de uma vingança está reforçada pelo que disse Michel Temer”, comentou Cardozo.

Na entrevista à Band, Temer disse: “Em uma ocasião, ele [Eduardo Cunha] foi me procurar. Ele me disse ‘vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque prometeram-me os três votos do PT no conselho de ética’. Eu disse que era muito bom, porque assim acabava com essa história de que ele estava na oposição. (…) naquele dia eu disse a ela [Dima] ‘presidente, pode ficar tranquila, o Eduardo Cunha me disse que vai arquivar todos os processos de impedimento’. Ela ficou muito contente e foi bem tranquila para a reunião”.

E continua: “No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiam contra aquela fala e votariam contra [Cunha no Conselho de Ética]. Mais tarde, ele me ligou e disse ‘tudo aquilo que eu disse, não vale, vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento’”. Temer conclui: “Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse”.

Segundo Cardozo, a prova de que Dilma foi vítima da vingança de Cunha, e que o processo de impeachment teve como origem esse desvio de finalidade é suficiente para anular o processo. “O Supremo tem agora a prova de que não foram as pedaladas fiscais que levaram Eduardo Cunha a aceitar o processo de impeachment, mas a vingança porque ela não cedeu às suas chantagens”, disse o advogado da presidenta eleita. (via site de Dilma)