30.4.17

DIREÇÃO DA ABI IGNORA A REPRESSÃO CONTRA TRABALHADORES A POUCOS METROS DA SUA SEDE

MÁRIO A. JAKOBSKIND e ANDRÉ MOREAU -

O "dono da ABI" realiza eleição, ignorando Greve Geral e ação jurídica promovida por membros da Chapa Villa-Lobos, objetivando restaurar a legalidade na Casa dos Jornalistas.


A diretoria da Associação Brasileira de Imprensa, capitaneada pelo Sr. Domingos Meirelles, além de ignorar a ação jurídica propondo restauração da legalidade na Casa dos Jornalistas, impetrada pelos autores deste artigo, protagonizou outro episódio lamentável nesse dia 28 da Greve Geral que parou o País. Enquanto a Polícia Militar disparava bombas contra trabalhadores que se manifestavam pacificamente na Cinelândia, sintonizada com agentes infiltrados, visando desmoralizar o movimento anarquista para o agrado das edições dos telejornalões, a diretoria da entidade promovia uma eleição, considerada ilegal, para a composição de outro terço do esvaziado Conselho Deliberativo.

O "dono da ABI" age em 2017, como Celso Kelly na ditadura empresarial militar de 1º de abril de 1964.

No site da ABI, só foi mencionado que no entorno da entidade ocorriam conflitos entre manifestantes e a polícia, mas nada se informou sobre a truculência da PM que sob comando do governador Pezão, agia em sintonia com os serviços de inteligência dos golpistas, objetivando agradar a mídia comercial conservadora, incriminando sindicalistas que promoviam a Greve Geral.

Vergonha constatada pelos que estiveram presentes na manifestação na Cinelândia.

Novamente esta diretoria que ocupa a ABI como se a Casa dos Jornalistas fosse de um dono, volta-se na prática contra os trabalhadores, inclusive jornalistas que se defendiam das bombas e tiros disparados por PMs e em vez de denunciar a violência e a farsa dos serviços de inteligência, os agentes mercenários infiltrados para enganar a opinião pública, a direção espúria da ABI, abria a sede da entidade para uma eleição, também espúria.

É assim que age uma diretoria que não só apoiou o golpe parlamentar, midiático e judiciário de 2016, como faz o jogo sujo dos apoiadores de um governo golpista e ilegal. O que aconteceu ontem (28 de abril) nas dependências da ABI, é vergonhoso para os jornalistas minimamente conscientes.

O que terão a dizer os integrantes da única chapa que se apresentou para a eleição ilegal?

O que terão a dizer, por exemplo, Fichel David Chargel, Silvio Tendler, Nacif Elias, Siro Darlan, entre outros, que ofereceram seus nomes, apesar das ilegalidades que vem sendo praticadas pela atual diretoria da ABI, desde 2016, enquanto os trabalhadores a poucos metros de distância eram reprimidos de forma violenta, ao mesmo tempo em que os meios de comunicação comerciais conservadores, capitaneados pelas Organizações Globo, mentiam descaradamente sobre o que acontecia no Rio de Janeiro?

E para cúmulo de cinismo, no site da ABI se informa que a chapa única se elegeu em um dia atípico enquanto a entrada da sede da entidade estava tomada de barricadas.

Cumpre ressaltar o trecho do informe dos que se adonaram da Casa que um dia foi dos jornalistas: "a ABI sofreu com o grande tumulto causado pela greve geral no país, em particular no Rio de Janeiro". Quer dizer, a direção da ABI tem a mesma visão que o esquema Globo, Record, Bandeirantes, que distorcem os fatos acontecidos e fazem o jogo (sujo) dos defensores das "reformas trabalhista e previdenciária". Ou seja, o Sr. Domingos Meirelles mancha a historia da Associação Brasileira de Imprensa, da mesma forma que fez Celso Kelly, em 1964.

*Mário Augusto Jakobskind, Jornalista e Escritor, Coordenador de História do IDEA, Universidade Federal Fluminense. **André Moreau, Jornalista e Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, UFF/Fonte:  blog Jornal da ABI.

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