13.4.17

UMA SEMANA NADA SANTA. TEMER ESTÁ PERDIDO E VÊ SUA BASE DE SUSTENTAÇÃO RUIR

ALCYR CAVALCANTI -


A Semana Santa não vai ser nada santa. Políticos blasfemam, rogam pragas para o ministro Edson Fachin, o juiz Moro, o jovem Dallagnol e outros menos votados e apelam para entidades das mais diversas.  Nuvens densas encobrem Brasília depois da divulgação da "Lista do Fachin". Encontros de sol a sol, desde o café da manhã aos jantares opíparos ofertados pelo presidente Temer com nosso, vosso dinheiro não descem com facilidade e se tornam indigestos. Todos sabem que o pior está por vir, poucos vão escapar da guilhotina e dos dedos duros.  Muitos envolvidos vão fazer a colaboração premiada, um eufemismo (é deduragem mesmo)  e aí tudo pode piorar. Em vez de viajarem para a Côte d'Azur,  para a Costa Amalfitana ou para torrar o dinheiro resultado da rapinagem nos cassinos de Punta del Leste, os "donos do poder" estão correndo atrás dos melhores advogados e de seus contatos no judiciário para tentar salvar a pele.

A base de sustentação de um governo fragilizado e altamente comprometido com a elite financeira nacional e transnacional vai ruindo aos poucos. Cinco ex-presidentes, Lula, Dilma, Fernando Henrique, Collor, Sarney, vinte e quatro senadores, oito ministros, doze governadores, dezenas de deputados e outros menos votados estão no alvo dos homens da capa preta. A maioria já sabia que viria chumbo grosso, mas acreditavam que algum sortilégio, algum milagre pudesse salvar a todos da tempestade que estava se formando. Os que restaram estão sem dormir apavorados que possa surgir uma outra lista. Os estoques de Rivotril sumiram das prateleiras das farmácias. Afinal segundo as sábias palavras do multimilionário Marcelo Odebrecht  Caixa 2 é uma instituição nacional, e faz parte de nossa cultura, assim como o futebol e o samba. O que mais de duzentos milhões de brasileiros esperam é que tudo seja resolvido sem sentenças seletivas, dirigidas para alguns determinados alvos políticos, que os processos consigam comprovações sólidas e irrefutáveis, sem ilações nem subjetividades de um imaginário fantasioso, que toda essa pirotecnia, essa excessiva exposição, a pretexto de uma transparência de ações sirva para o benefício da imensa população que luta diuturnamente, a maioria com salários irrisórios, que seja tudo resolvido na forma da lei e não termine nem em pizza nem em samba.