24.5.17

1- STF DIVULGA CONVERSAS DE JORNALISTAS MESMO SEM INDÍCIOS DE CRIMES; 2- SENADORES SE ESTAPEIAM E SE XINGAM NA COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS [VÍDEOS]

REDAÇÃO -

Ao retirar o sigilo das investigações da Lava-Jato feitas a partir das delações da JBS, o Supremo Tribunal Federal divulgou também os arquivos de áudio de mais de 2.800 ligações de alvos da operação, em conversas sem nenhuma ligação com a prática de crimes e com pessoas contra quem não pesava nenhum tipo de acusação.

Embora tenha sido o STF que liberou o acesso aos arquivos, ainda não está claro como nem por quê as conversas foram divulgadas, já que não têm nenhuma relevância para o caso sendo apurado.

As gravações foram realizadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, durante o monitoramento do senador afastado Aécio Neves, de sua irmã, Andrea, do deputado federal Rodrigo Rocha Loures e de outros implicados na delação dos donos da JBS.

A inclusão da gravação da conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo e Andrea Neves no inquérito que apura a conduta do senador Aécio Neves não foi a primeira vez. Entre os interlocutores dos investigados, há jornalistas, assessores e empresários. A revelação de uma conversa do jornalista Reinaldo Azevedo com Andrea Neves o levou a decidir deixar a revista “Veja”, onde tinha um blog havia 12 anos. No diálogo, ele critica uma reportagem feita pela própria revista, que trata de uma conta de Aécio em Nova York, não comprovada até agora.

Depois que o caso veio à tona, a Procuradoria-Geral da República afirmou que não foi a responsável pela divulgação dos arquivos. O material havia sido disponibilizado pelo próprio Supremo quando o relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, retirou o sigilo de todos os arquivos que constavam da investigação sobre a delação da JBS.

Só que havia os áudios relevantes para o caso, como as conversas de Joesley com o presidente Michel Temer e com Aécio, que foram transcritas, e esse outro bloco de telefonemas, sem conteúdo relacionado às investigações.

Depois que o STF foi procurado, na noite desta terça-feira, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, produziu nota sobre o caso em que defende o sigilo entre a fonte e o jornalista, garantido pela Constituição, mas não explica a divulgação dos áudios: “O Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência consolidada no sentido de se respeitar integralmente o direito constitucional ao sigilo da fonte. A presidente do STF reitera o seu firme compromisso, que tem sido de toda vida, de lutar e, agora, como juíza, de garantir o integral respeito a esse direito constitucional”.

Procurada, a terceira parte que teve acesso aos áudios, a Polícia Federal, ainda não se manifestou.

Está não foi a primeira vez, no âmbito da Operação Lava-Jato, em que grampos feitos pela PF foram anexados aos autos sem que houvesse uma clara ligação com os fatos investigados: conversas entre o ex-presidente Lula e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes; entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia e seu filho e entre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro do Supremo Gilmar Mendes também foram liberadas. (…) (via Globo)

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A que ponto chegamos: senadores se estapeiam e se xingam na Comissão de Assuntos Econômicos