15.5.17

CULPA POLÍTICA OU ÉTICO-MORAL DO PT?

ANDRÉ DE PAULA -


Falo na condição de ex-petista que, inclusive, não acredita mais na atual forma de escolha de nossa representação, uma vez que a corrupção é inerente a ela. Prego a desobediência civil: não ir votar.

Contudo, é visível que existe uma perseguição seletiva ao Lula e ao PT. A Lava-Jato é a repetição do que fez a elite contra Vargas e Jango, levando um ao suicídio e outro a deposição, quando eles assumiram posições nacionalistas. Sim, porque nenhum tucano (Aécio, Serra, Alkmin e Fernando Henrique, etc...) até agora foi preso, assim como Sarney, Collor, Maluf, Jucá, Renan, Moreira, Temer, torturadores do Golpe de 64, Gilmar Mendes, ex- presidente do STF que solta notórios meliantes, que engavetava processos contra Fernando Henrique quando era Advogado-Geral da União, que suspendeu ato do Governo que repassava quatro fazendas para os índios Guaranis-Kaiowás, os verdadeiros donos das terras, entre outros representantes da classe dominante, apesar das evidências de altíssima corrupção e crimes.

Os citados não foram perseguidos porque pertencem à elite enquanto Lula e Dilma são representantes dos trabalhadores, embora tenham feito  aliança com estes execráveis setores. Deu no que deu. Foram todos engolidos pelo sistema, alguns se lambuzando nele, e retirados do poder através de um golpe. A burguesia prefere um governo elite puro-sangue, como foram a ditadura militar, Fernando Henrique e agora Temer, que massacram os pobres, querendo retirar, inclusive, os direitos adquiridos com muita luta.

A burguesia não quer, sequer, um governo como os do PT que ofereceram pequenas vantagens aos trabalhadores.

Dilma e Lula, ao invés de fortalecerem as rádios e tvs comunitárias, preferiram estimular ou fazer média com a grande imprensa quando deveria cassá-los, uma vez que são concessões e não podem ficar repetindo mentiras dia e noite, distorcendo os fatos, além de apresentarem programas deseducativos. Sequer a Telesur que se contrapõe à mídia hegemônica deixaram entrar no país, atendendo à exigência do grande Capital.

Favoreceram bancos e pouco fizeram pela reforma agrária, segundo a Comissão Pastoral da Terra- CPT e o próprio MST-Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra. Ao contrário, favoreceram o agronegócio. Poucas terras indígenas foram demarcadas, segundo o CIMI- Conselho Indigenista Missionário. Fizeram vista grossa para a subtração da terra dos índios por parte de fazendeiros e hidrelétricas.

Na cidade, a criação do programa Minha Casa, Minha Vida, representou pequeno avanço, pois as casas foram feitas, muitas vezes, em lugares longínquos e sem infra-estrutura, beneficiando, principalmente, as empreiteiras. Alguns, por não terem como pagar as prestações, transformaram o programa em Minha Casa, Minha Dívida.

Na exploração do petróleo, o nosso bem maior, continuaram a realizar os lesivos leilões , iniciados por Fernando Henrique, e fizeram acordo em torno do famigerado projeto Serra de esfacelamento do pré-sal. Deviam ter estatizado totalmente a Petrobrás e entregue o seu controle aos trabalhadores e usuários para evitar a corrupção que sempre existiu na empresa, que apesar disso, ainda é um gigante que ajuda muito o país.

Criaram a lei antiterror para criminalizar os movimentos sociais que se rebelarem e vetaram, também, a auditoria da dívida pública que consome a maior parte do nosso orçamento.

No crédito ao petismo, há o exitoso programa Mais Médicos, que manda profissionais para lugares longínquos, onde os brasileiros não querem ir, aproveitando, principalmente, a excelente mão-de-obra cubana, que prima pelo internacionalismo; o inegável acesso dos pobres, negros e indígenas às universidades, seguimentos massacrados secularmente; e o bolsa família que apesar de não resolver o problema da fome, a diminuiu. Fizeram uma política externa coerente, com exceção da intervenção no Haiti. Não mexerem na estrutura, fizeram alianças espúrias, não armaram os movimentos sociais progressistas, por isso caíram.

* André de Paula é advogado da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) e membro da Anistia Internacional.