1.5.17

“O MUNDO FEZ, FAZ E FARÁ JUSTIÇA A BELCHIOR”

ILUSKA LOPES -


O governo cearense decretou luto de três dias no estado. Na madrugada deste domingo (30), morreu o cantor e compositor Belchior, aos 70 anos, na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul. Com mais de 40 anos de carreira, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em 26 de outubro de 1946. Seu primeiro sucesso foi na década de 70, ao lado do também cearense Raimundo Fagner, com "Mucuripe". Depois, ele lançou o álbum "Alucinação", de 1976, que trazia canções como "Apenas um rapaz latino-americano", "Velha roupa colorida" e "Como nossos pais", que ficou conhecida na interpretação de cantora Elis Regina.

"Um pedaço da mocidade da gente vai embora, nessas horas", publicou Guilherme Arantes em sua página do Facebook em homenagem à Belchior. Ele relembrou momentos vividos ao lado de Belchior e afirmou que o colega cearense "será o melhor letrista de canções transformadoras que já existiu"; "O mundo lhe fez, faz e fará justiça", completou.


Leia a íntegra da mensagem de Guilherme Arantes:

Não é nada legal receber mais uma noticia dessas. É chatíssimo ver nossos contemporâneos partirem, toda uma safra de despedidas, muito triste. Ainda mais um amigo leal e importante como esses. Um pedaço da mocidade da gente vai embora, nessas horas, mas é a lei natural... Isso é que dá viver !

Belchior, que eu não canso de homenagear de todas as maneiras, foi e sempre será o melhor letrista de canções transformadoras que já existiu. Uma mente privilegiada em cultura e de talento cortante e visceral. Uma pessoa doce, querida, com a qual pude compartilhar muitos saraus em sua casa, com vinhos, literatura, muitas risadas, muita sabedoria e ensinamentos.

Compartilhamos muitas viagens para nossas batalhas no Rio, e jamais vou esquecer nossas caminhadas em Copacabana, um companheirão que passou por todas as dificuldades possíveis num pais de grande perversidade, de muitos privilégios, de muitos "protegidos" e eternas injustiças. Mas o mundo lhe fez, faz e fará justiça, com toda sua liberdade de ser e de criar...

A morte? A jogada é tirar de letra ... Afinal, é a única coisa mais fatalmente certa que existe.

Nascer, morrer, faces da mesma moeda. Choramos o desconhecido...Mas assim como morrem pessoas, outras estão nascendo, a diferença é que não sabemos quem serão, pra podermos dar o mesmo valor. VIVA BELCHIOR !!!

Guilherme Arantes