6.5.17

O MUNDO QUE NOS AGUARDA CHEGOU NOS ANOS 1980

Por PEDRO AUGUSTO PINHO -


Há um esforço da nova potência imperial para que não a desvendemos. Os impérios sempre foram cruéis, arbitrários e destruidores dos povos. Onde estão os lígures, os filisteus, os etruscos, os fenícios? Destruídos pelos impérios persa, romano, muçulmano. Onde está o poderoso Reino Bantu, o aguerrido Império Ashanti, destruídos por colonizadores europeus.

Na época dos estados nacionais, que nos ensinaram nos bancos escolares, os impérios não eram mais identificados pelas etnias, religiões mas pelas nacionalidades.

Tínhamos o enorme Império Britânico, onde o sol nunca se punha, o Império Francês, o Holandês, o Japonês que se espalhavam destruindo economias, populações e línguas e culturas.

Kim Il Sung, que libertou a Península da Coreia da dominação japonesa e venceu o Império Estadunidense em 1953, escreve no seu livro de memórias que os japoneses obrigavam os coreanos a trocar seus nomes próprios por nomes japoneses. O máximo em despersonalização do colonizado.

Mas a condição imperial de hoje é diferente. Os netos de meus netos, se ainda houver Brasil e o ensino de História – breve parênteses: os golpistas de 2016 já procuram eliminar esta perigosa disciplina dos currículos estudantis – talvez aprendam que, no século XX, os então denominados estados nacionais foram substituídos por Departamentos do Império da Banca que domina quase todo o planeta. Mas sempre haverá, como no “1984”, de George Orwell, ou no “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, uma Eurásia, em luta com a Oceania, ou os recitadores de William Shakespeare.

A banca é como denomino o sistema financeiro internacional, as famílias que dominam as finanças do mundo. Seu número é incerto, não só pela estratégia da invisibilidade que elas adotam, como pelo objetivo permanente da concentração de renda.

O título deste artigo foi parcialmente tirado de um romance de ficção científica, pois o que nos está acontecendo é tão incompreensível para muitos que parece ser um mundo ficcional. E aproveito então, como na criação de Isaac Azimov, para enunciar não as leis da robótica, mas da banca.

A primeira é dominar toda atividade econômica para transferir seus ganhos para o sistema financeiro. A segunda é promover sempre e sistematicamente a concentração da renda.

Vamos a um exemplo. Qual seria o interesse dos que nasceram e moram nos Estados Unidos da América (EUA) em promover uma guerra na Ucrânia, que, provavelmente, tenha até sua existência desconhecida pela maioria absoluta da população?

Mas sendo o Departamento de Ações Bélicas e Insuflador de Revoltas da banca, os EUA estavam cumprindo as determinações superiores (sic).

Do debate para a eleição de Presidente da França, no segundo turno, o jornalista Marcos de Oliveira, do Monitor Mercantil, extraiu uma frase reveladora proferida por Marine Le Pen: “seja como for, a França vai ser dirigida por uma mulher: ou sou eu ou é a senhora Merkel”, a premier alemã. Além da ironia com que agrediu seu adversário, a candidata francesa mostrou a Departamentalização da Gestão da Banca. Cabe ao Departamento chefiado pela “senhora Merkel” a condução dos negócios da banca na parte continental do ocidente europeu. Tanto é verdade que, não faz muito tempo, o Governo Português, após a aprovação do orçamento pelo Congresso Nacional e antes de colocá-lo em vigor, foi submetê-lo à Premier germânica. O mesmo foi feito, contrariando a votação popular, por Aléxis Tsípras, Primeiro-Ministro da Grécia. E continuaria com outros exemplos.

Aqui, no Brasil, a banca, que havia lançado tantos papéis pelo mundo cujo resgate é verdadeiramente impossível, que corretamente chamaríamos de mico, incumbiu o Departamento EUA de promover um golpe para se apossar da riqueza única do pré-sal, uma Arábia Saudita submersa de petróleo de alta qualidade, pronta para a produção pela capacidade técnica da Petrobrás. E com o melhor aproveitamento do golpe (lembrem-se da primeira lei da banca), retirar direitos trabalhistas e previdenciários dos brasileiros para aumentar seus ganhos financeiros. O que está sendo destruído tanto no trabalho como na vida de todos nós, os nacionais, é a consequência da ação imperial, como em todos os tempos.

Recentemente li de pessoas cultas que a ameaça do Departamento EUA à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) era para a banca negociar com a República Popular da China (RPC). Talvez seja a farsa que a banca pretende difundir. Quem conhece a História da Coreia, que por toda existência conviveu com dois grandes impérios fronteiriços, o Russo e o Chinês, e, por meio século, sofreu a ocupação do japonês, sabe que prevalece na RPDC um sistema autárquico, que objetiva a independência em relação a qualquer império, ainda que, em determinados momentos históricos, se apresente como aliado.

Temos então a configuração do mundo atual: o Império do Sistema Financeiro Internacional, com seus departamentos operacionais, quer no critério funcional quer no geográfico, ou seja da área de atuação, e de outro lado os remanescentes dos Estados Nacionais, como o Estado Plurinacional da Bolívia, a RPDC, a República de Cuba, a Federação Russa, a República Islâmica do Irã e todos aqueles que a “grande” imprensa, os órgãos para desinformação e de propaganda da banca, permanentemente, agridem, divulgam mentiras, acusam seus dirigentes e tentam nos convencer que são eles o “reino do mal”.

* Enviado para o e-mail da redação. Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado