5.5.17

REMÉDIOS DIFERENTES PARA O MESMO MAL

CÍCERO LOURENÇO PEREIRA -


O mundo acordou em maio de 2017, com a informação de uma proposta do presidente americano Donald Trump, que está sendo considerada a mais ambiciosa desde a década de 80. Trata-se da redução dos impostos americanos de 35% para 15%. A proposta ainda deve ser submetida ao Congresso para aprovação.

A decisão de Trump serve de reflexão aqui no Brasil. É claro, que não somos ingênuos ao ponto de comparar as duas economias cegamente.

Além de todas as diferenças econômicas e culturais, aqui chegamos a quase 13 milhões de desempregados, enquanto que a América encontra-se quase em pleno emprego, tem um mercado muito bem explorado e uma população super-consumista.

Porém, o remédio usado por Trump servirá para combater o mesmo mal que aflige o povo brasileiro – a falta de crescimento econômico e o déficit público.

Trump quer cortar impostos para impulsionar a criação de novos empregos e gerar uma maior arrecadação fiscal diminuindo assim o déficit da dívida pública.

Simples assim!

A matemática econômica pode ser até mais complicada e o cenário político muito diferente, mas o objetivo de Trump é o mesmo apregoado pelo presidente Michel Temer com suas reformas mesquinhas.

Temer afirma que aprovou a terceirização, a reforma Trabalhista e quer aprovar a reforma da Previdência para aumentar o emprego, gerar desenvolvimento e diminuir a divida pública.

Porém, ao contrário de Trump, o governo brasileiro decidiu tirar direitos e dinheiro do bolso dos trabalhadores para fazer a economia girar.

Enquanto que na América entende-se que a roda da economia gira com mais empregos e mais consumo, aqui no Brasil Temer diminui o poder de compra da maioria da população e aprova medidas que empobrecem a classe trabalhadora.

Em vez de fortalecer e qualificar os trabalhadores, tornando o país mais competitivo Temer aprova projetos como o da terceirização que precariza as relações de trabalho e cria uma sociedade insegura sem capacidade de sequer sonhar com um futuro melhor.

Baixar impostos, aqui no Brasil? Nem pensar!

O Brasil está entre os 30 países com a maior carga tributária no mundo e é considerado um dos piores em retorno dos valores arrecadados em prol do bem-estar da sociedade.

Uma das principais causas para o aumento da carga tributária brasileira é justamente o aumento dos gastos públicos. Isto porque, após a estabilização do Real, o Brasil reduziu a emissão de moeda e, para financiar os gastos públicos aumentou a carga tributária.

Se colocarmos em números os impostos que pagamos, em média, são 18% de tributos sobre a renda, 3% sobre o patrimônio e 23% sobre o consumo. Usamos um total de 44% dos nossos rendimentos apenas para pagar impostos.

Outra grande diferença entre o Brasil e os EUA é que lá os impostos, ainda que não tão altos, retornam a população em forma de serviços e aqui não.

Lá o povo sabe para que serve os impostos. Aqui, o povo não tem consciência de que a finalidade dos impostos é fomentar o desenvolvimento social, financiar os serviços públicos, e investir em educação, saúde, saneamento básico e tantos outros serviços necessários à população. Ou seja, projetos que fomentem o desenvolvimento econômico-social e levem o país ao grupo dos países desenvolvidos, onde economia e qualidade de vida são equivalentes.

Mas, voltemos ao EUA, o plano de Trump consiste em revisar todo o sistema fiscal do país, mas o grande destaque é a redução de 35% para 15% os impostos para as empresas, um corte de 20 pontos percentuais que pode ter efeitos diretos no déficit federal.

Segundo o governo americano o novo sistema reduzirá de 7 para somente 3 as faixas de tributação para as pessoas. Com essa medida espera-se que tornar competitivos os impostos às empresas, trazer bilhões de dólares para criar empregos, simplificar as declarações individuais e reduzir a carga tributária.

Não é justamente isso que o Brasil está precisando?

Por que será que aqui não podemos usar o mesmo remédio?

Por que será que aqui a dívida dos gastos públicos tem que ser paga com o sangue e o suor somente dos trabalhadores e dos mais pobres?

A realidade dos EUA e do Brasil são incomparáveis, no entanto essa atitude de Trump nos faz pensar no quanto estamos sendo enganados pelo nosso governo e como, mais uma vez, estamos na contramão da história.

*Cícero Lourenço Pereira, presidente da FETRHOTEL e do SINTHORESSOR