8.5.17

RJ: NA INVASÃO DA CIDADE ALTA, POLICIAIS MILITARES SÃO SUSPEITOS DE PROTEGER O TERCEIRO COMANDO E ATACAR FACÇÃO RIVAL

ALCYR CAVALCANTI -


A "Guerra Contra as Drogas" no Rio de Janeiro atingiu em cheio a política de segurança adotada. Nove policiais militares do 16 BPM sediado em Olaria são suspeitos de terem se aliado aos narcotraficantes do Terceiro Comando Puro-TCP rede criminal que tem ampliado seus domínios  no Rio de Janeiro graças à ineficiência de uma política de segurança que não tem atingido seus objetivos, dar segurança aos milhões de moradores do estado. Os agentes da lei teriam dado proteção ao TCP e sob pretexto de impedirem uma carnificina, deram carona aos membros da facção criminal e atacaram os invasores do Comando Vermelho-CV que queriam retomar os pontos de venda de drogas da Cidade Alta. Em troca pela ajudinha teriam recebido R$ 1 milhão. O TCP é um ramo do Terceiro Comando rede criminal que surgiu na Terceira Galeria da Ilha Grande sob a liderança de Albertino Esteves o Betininho oriundo da Favela "Curral das Éguas" em Magalhães Bastos após um rompimento com o Comando Vermelho.

Nove PMs envolvidos na operação foram transferidos em separado para outras unidades, que seria apenas procedimento de rotina, segundo autoridades e teriam recebido elogios do secretário de segurança Roberto Sá que considerou a operação exitosa e evitado um banho de sangue. Um áudio no entanto parece desmentir a versão oficial, os policiais deram carona no veículo blindado para narcotraficantes do TCP e prenderam 40 pessoas ligadas ao Comando Vermelho e apreenderam 32 fuzis de assalto do CV, inclusive todos com a inscrição CX, material usado somente para ocasiões de confronto e não de simples proteção de território. O grupo de bandidos do Terceiro Comando continuam na localidade. As baixas foram somente do CV.

A proteção dada a uns dos lados quando existe confronto bélico é uma atitude recorrente,  já teria acontecido algumas vezes sempre com o argumento de "evitar um banho de sangue". Só para citar alguns de vários episódios em situações diversas, em 2004 na tentativa de ocupação da Rocinha pelo grupo chefiado por  Eduino Eustáquio o Dudu para retomar o controle das bocas de fumo que eram controladas por Luciano Barbosa o Lulu que passou para  a rede criminal ADA após rompimento com o CV. Policiais chegaram e houve confronto entre agentes da lei que davam proteção aos dois grupos. Há alguns anos atrás com rompimento da trégua entre CV e TC em Vigário Geral, o Terceiro Comando que dominava Parada de Lucas teria invadido Vigário com ajuda de um blindado da PM.

Para a socióloga Silvia Ramos que já dirigiu o Instituto de Segurança Pública-ISP  é importante que sejam apuradas as denúncias contra agentes da lei, em declarações ao Globo afirmou "Há décadas a PM do Rio é conhecida como policia muito violenta e corrupta" e admite que possa haver muitos outros casos de corrupção.

A sociedade exige que episódios recentes sejam apurados para que agentes da lei que atuarem na ilegalidade sejam rigorosamente punidos e a policia possa cumprir seu papel, que é de defesa da sociedade e na manutenção da paz.