1.6.17

SENADOR “SÓ” TRAFICA DROGAS

ANDRÉ BARROS -



Diálogo de Aécio Neves (presidente do PSDB e candidato derrotado a presidente do Brasil em 2014) e Zezé Perrella (ex-presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados e de Frios de Minas Gerais (SINDUSCARNE), ex-diretor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e ex-presidente do Cruzeiro Esporte Clube durante 11 anos em quatro mandatos) foi interceptado pela Polícia Federal. Os dois senadores por Minas Gerais conversavam abertamente em seus telefones como grandes amigos, até que Zezé Perrella falou aos 3 minutos do áudio: “Na verdade eu sou muito agredido pelo negócio do helicóptero até hoje, sabe Aécio, eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”.

O grampo foi divulgado no dia 29 de maio de 2017 em reportagem do jornal Hoje em Dia. Depois, foi difundido pela revista Carta Capital e o JB. Zezé Perrella alega que foi uma ironia. Ouça o áudio aqui.

Humor bem suspeito, ainda mais do senador que é o pai político e pai biológico do dono da empresa Limeira Agropecuária, Gustavo Perrella, que foi vice-presidente do Cruzeiro Esporte Clube e atualmente exerce o cargo de Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do governo Michel Temer. Em 2013, no helicóptero de propriedade desta empresa, dirigido pelo piloto que era assessor do então deputado estadual de Minas Gerais, Gustavo Perrella, foi encontrada meia tonelada de pasta básica de cocaína.

Este escândalo nacional foi abafado pela grande mídia e não sabemos detalhes do processo. Ao que tudo indica, pai e filho sequer foram denunciados, tiveram seu helicóptero devolvido e o piloto e outros três envolvidos foram absolvidos. O Ministério Público Federal não recorreu para os tribunais de Brasília, STJ e STF, e o caso terminou no Tribunal Federal da região de Minas Gerais.

Enquanto isso, milhares de jovens, negros e pobres estão presos, processados ou condenados, como traficantes de poucos gramas de cocaína e maconha. Eu mesmo já defendi um jovem denunciado por tráfico de 0,8 g (oito decigramas de cocaína), que ficou 28 dias na prisão e foi condenado a 1 ano e 8 meses de reclusão por tráfico de drogas e o perdimento em favor da União de R$ 105,00 (cento e cinco reais). Recorri da decisão e o meu cliente foi finalmente absolvido em 2ª instância, após repetir três vezes em minha sustentação oral que ele tinha sido condenado por tráfico de oito decigramas de cocaína. O Ministério Público buscava uma pena maior e também recorreu da decisão, mas felizmente esta o Parquet perdeu.

A absolvição por meia tonelada de pasta básica de cocaína, comparada com os milhares de condenados por tráfico de poucos gramas, é um verdadeiro deboche ao Brasil. Todos e todas querem saber quem são os verdadeiros traficantes. Assim, após essa confissão de tráfico, com ou sem ironia, esperamos que o caso seja reaberto em relação ao Senador e o seu filho.