5.6.17

SETOR DE REVENDA DE COMBUSTÍVEIS CRESCE EM MEIO À CRISE ECONÔMICA

Via FENEPOSPETRO -

Contrariando as expectativas do mercado, o número de postos de combustíveis cresceu 5,8% entre 2012 e 2015. Os dados constam do estudo apresentado aos dirigentes dos frentistas pelo diretor técnico do DIEESE, Altair Garcia.


O programa de incentivo à indústria automobilística, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), favoreceu diretamente o setor de revenda de combustíveis. A informação consta da análise setorial do desempenho do setor de combustíveis apresentada aos dirigentes dos Sindicatos dos Frentistas no encontro nacional da categoria, realizado na semana passada, em Brasília.

Em palestra aos sindicalistas, o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (DIEESE), Altair Garcia, informou que em 16 anos, a frota de veículos aumentou mais de 300%, totalizando hoje cerca de 93 milhões de automóveis em todo o país. Segundo ele, o investimento das montadoras no país não é por acaso, já que a relação de habitante por veículo no Brasil é de 4.9, enquanto nos Estados Unidos o mercado está estagnado. O economista cita que essa estratégia de crescimento econômico permitiu a abertura de novos postos de combustíveis e o aumento da venda de gasolina e do diesel no país.

O Brasil conta hoje com cerca de 41 mil postos de combustíveis. Entre 2012 e 2015 o setor cresceu 5,8%. Por concentrar 49% da frota de veículos licenciados no país, a região Sudeste também detém o maior número de postos de revenda de combustíveis, cerca de 16.170. A região registrou um grande volume de vendas de gasolina C entre 2006 e 2014, mas com o agravamento da crise, a comercialização do combustível apresentou queda de 11,45%. São Paulo é o estado da região que comercializa mais combustíveis e que tem mais postos de revenda.

O diretor do DIEESE informou que o setor de combustíveis cresceu acima do PIB, mesmo com a crise econômica e a queda nas vendas de combustíveis de um modo geral. Altair Garcia revelou que em 2017, a venda de gasolina C cresceu 4,57%, enquanto a comercialização do álcool registrou queda de 18,37%. Ele chama a atenção para o risco do desemprego no setor, já que para manter a margem de lucro, as empresas são obrigadas a fazer ajustes nas contas.

NEGOCIAÇÃO - Altair Garcia disse que o setor de comércio varejista de combustíveis e lubrificantes registrou queda de 8,3% no primeiro trimestre de 2017. O economista adverte que isso reflete diretamente nas negociações salariais da categoria, que para conquistar aumento real ou até mesmo o índice da inflação, vai ter que se mobilizar muito. “As empresas usam esses dados na mesa da negociação. Mesmo quando as vendas estão em alta os patrões choram. Com a queda fica mais difícil negociar”.

DESEMPREGO - De acordo com o estudo do DIEESE, a categoria tem hoje cerca de 376 mil trabalhadores no país, que recebem em média R$ 1.400,00. O economista alerta que mesmo com a abertura de novos postos de combustíveis, o desemprego aumentou na categoria. Segundo Altair Garcia, entre janeiro e abril deste ano foram fechadas 4.657 vagas de trabalho no setor de revenda de combustíveis.

* Estefania de Castro, assessoria de imprensa Fenepospetro