6.7.17

1- EDUARDO CUNHA FINALIZA DELAÇÃO QUE VAI ATINGIR TEMER, MOREIRA FRANCO E JUCÁ; 2- EMPRESA DE AMIGO DE TEMER RECEBEU 33 MIL M² NO PORTO DE SANTOS SEM LICITAÇÃO

REDAÇÃO -


O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já está finalizando os textos com as informações para o acordo de delação premiada que pretende fechar com a Operação Lava-Jato.

O peemedebista já rascunhou mais de cem anexos para a colaboração. Ainda não se sabe quantos deles serão aproveitados no acordo oficial.

Procuradores que integram a força-tarefa têm conversado com os advogados de Cunha e acompanham de perto cada passo que ele dá em direção a um acordo com as autoridades.

A negociação tem sido considerada satisfatória e a expectativa é que ele entregue os documentos confessando e delatando crimes já na próxima semana.

Cunha deve envolver diretamente o presidente Michel Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) em sua delação.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados integrava o núcleo duro do PMDB formado por Temer, Jucá e os dois ministros. O grupo liderou o movimento que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Cunha teria participado não apenas das grandes negociações políticas mas também de esquemas de arrecadação de recursos para campanhas eleitorais do grupo e do recebimento de propinas. Ele teria provas sólidas das acusações que fará.

Ao contrário do doleiro Lucio Funaro, operador de Cunha que foi transferido para a carceragem da Polícia Federal em Brasília para facilitar as conversas com seus advogados e finalizar sua colaboração, Cunha continua preso em Curitiba.

As autoridades, no entanto, reservaram ao ex-deputado uma sala especial no Complexo Médico-Penal de Pinhais para que ele possa conversar com seus advogados, que devem redigir os anexos da delação baseados nas informações prestadas pelo cliente. (…)

***
Empresa de amigo de Temer recebeu 33 mil m² no Porto de Santos sem licitação

A empresa de importações Rodrimar acrescentou 33.386 m² à área que ocupa no Porto de Santos, entre 1991 e 2011, sem participar de concorrências e sem assinar contratos novos com a Codesp, estatal federal responsável por administrar o maior porto do país.

A expansão ocorreu por meio de sucessivos aditamentos a dois contratos, assinados originalmente em 1991 e 1993. Os contratos já venceram, mas a Rodrimar continua operando no local graças a decisões provisórias da Justiça.

Antônio Celso Grecco, sócio da Rodrimar, é amigo do presidente da República, Michel Temer (PMDB). O nome dele veio à tona no bojo do escândalo provocado pela delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.

Na já célebre cena do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) correndo com uma mala de dinheiro, gravada no dia 28 de abril, a pessoa inicialmente escalada para receber o dinheiro da JBS em nome de Temer, segundo delatores da JBS, era Celso — como o dono da Rodrimar é conhecido. Mas um imprevisto fez com que ele não chegasse a tempo, e Rocha Loures teve que ir em seu lugar.

A Codesp se tornou feudo político de Temer nos anos 1990, quando ele liderou a bancada do PMDB e presidiu a Câmara pela primeira vez — em nota, a Presidência da República disse que “Michel Temer não responde pelos atos dos presidentes da Codesp” (leia a íntegra ao final da reportagem).

Em outubro de 1991, a Rodrimar assinou um contrato com a Codesp para arrendar três armazéns no Porto de Santos, uma área de 34.026 m². Hoje, esse contrato diz respeito a uma área de 61.467,00 m². O segundo contrato foi firmado pouco depois, em julho de 93, para o arrendamento de um terreno no Cais do Saboó que tem 12.350 m² de área. Após seis aditamentos, a área do contrato atualmente é de 18.296 m². (via BuzzFeed)