7.7.17

TRABALHADORES COMEMORAM OS 100 ANOS DA PRIMEIRA GREVE GERAL NO BRASIL

EUSÉBIO PINTO NETO -

A data será comemorada na próxima segunda-feira (10). Passado um século de lutas históricas, os trabalhadores brasileiros estão ameaçados de perder direitos conquistados com muita luta e determinação pela classe operária.

Em 1917, operários paralisam os trabalhos em fábrica paulista / Arquivo Nacional.
As primeiras greves no Brasil começaram no fim do século XIX, com o início do processo de industrialização do país. Posteriormente, em meio à crise de desabastecimento de gêneros alimentícios provocado pelas exportações brasileiras durante a Primeira Guerra Mundial e a queda vertiginosa do poder de compra dos trabalhadores, explode, em São Paulo, em 10 de julho de 1917, a primeira greve geral no Brasil.

Os preparativos começaram meses antes, com os trabalhadores, com forte participação de imigrantes italianos e espanhóis, reivindicando melhores salários, o fim da exploração do trabalho das mulheres e crianças e dos turnos de trabalho que chegavam a 14 e 16 horas, além da implantação da jornada de oito horas.

Durante uma das manifestações na porta de uma fábrica têxtil no bairro do Brás, no dia 09 de julho, a polícia, armada com fuzis, reage violentamente reprimindo os trabalhadores, culminando com a morte do operário espanhol, o sapateiro José Antônio Martinez. No dia seguinte, o cortejo do operário foi acompanhado por mais de 10 mil trabalhadores, que silenciosamente cruzaram à cidade de São Paulo, do Brás até o cemitério do Araçá, onde foram realizados vários protestos inflamados.

Manifestação operária durante a greve de 1917, no bairro paulistano do Brás. O protesto foi motivado pelo enterro de um grevista morto pela polícia.
Após o enterro, que se transformou num estopim, os operários realizaram uma assembleia em que foi decretada a primeira greve geral no Brasil, que só terminou depois que os patrões atenderam as reivindicações dos operários. As exigências eram: aumento imediato de 35% nos salários inferiores a 5.000 réis; 50% de aumento no pagamento do trabalho extraordinário; que os salários fossem pagos pontualmente a cada 15 dias, ou no máximo, até o dia 5 após o vencimento; jornada de oito horas de trabalho com adoção da semana inglesa; fim do trabalho noturno para as mulheres; abolição do trabalho de menores de 14 anos; que nenhum operário grevista fosse punido ou dispensado e os que foram presos por participação na greve fossem postos em liberdade. Os grevistas exigiam ainda, que os direitos de associação dos trabalhadores fossem fielmente respeitados.

Com esta pauta inflamada e explosiva o que se seguiu foi uma repressão ainda mais violenta da polícia, por ordem do governo, contra mais de 60 mil trabalhadores, que unidos e determinados a conquistar melhores condições de trabalho, pararam literalmente o estado de São Paulo que ficou sitiado. Navios da Marinha de Guerra ocuparam o Porto de Santos, o principal do país; ruas foram tomadas por barricadas, bondes incendiados, armazéns saqueados, o caos instalado com a polícia reprimindo barbaramente os trabalhadores que resistiam bravamente. A greve foi tão intensa que não parou apenas o estado de São Paulo, mas, também, se alastrou para o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados do país, com o governo e a polícia perdendo totalmente o controle da situação.

Instalado o caos em São Paulo, que sofria com o desabastecimento e os operários firmes e decididos sustentando a greve geral, o governo e os empresários tiveram que aceitar a negociar com os grevistas. Durante as duras negociações vários embates se sucederam, com prisões e até mortes de operários. Na queda de braço entre capital e trabalho, os patrões cederam e aceitaram dar um aumento salarial imediato que variava de 15 a 30 % e atenderam a outras reivindicações dos trabalhadores que saíram vitoriosos na sua primeira greve geral, que durou 30 dias e acabou se consagrando como instrumento político legítimo de pressão e reivindicação.

Agora, ao completar os 100 anos da primeira greve geral, os trabalhadores brasileiros se veem diante da ofensiva de um governo impopular que, ardilosa e criminosamente, promove uma reforma trabalhista que rasga a CLT e guilhotina direitos históricos conquistados pela classe operária com luta, sangue e a vida de vários trabalhadores, como àqueles que empunharam a bandeira da justiça e da liberdade na história dos trabalhadores brasileiros. Portanto, agora, nesta data histórica de 100 anos da primeira greve geral no Brasil, a Federação Nacional dos Frentistas saúda a luta da classe operária e a luta do trabalhador brasileiro!

* Eusébio Pinto Neto, presidente da Fenepospetro e do Sinpospetro-RJ