13.8.17

BRASIL TERRA ARRASADA III - O BAAL DA GANÂNCIA E A TOGA

Por SOLANGE RODRIGUES -


A nossa independência se fez com sangue, mas não o sangue derramado pelo colonizador no campo de batalha. Nosso sangue jorra até hoje pelas veias que foram abertas nas entranhas de nossas terras para tirar-lhes a riqueza e na humilhação da inferioridade que nos marcaram a ferro e fogo na carne e que segue, de geração em geração, na não resistência e na entrega.

Toda vez que um bravo se levanta em solo pátrio contra a rapinagem dos abutres e na defesa da dignidade humana e do orgulho nacional, a corja insana de medo e ganância ergue a voz com mentiras, infâmias, denegrindo os ideais nacionais, calando na lança o brado de liberdade: mais um a ser deitado na vala comum.

O tempo vai apagando a história. Os colégios ensinam as glórias dos outros. A cultura enaltece os heróis deles. Nós, não temos heróis!

Os nossos heróis foram ceifados cedo e apagados da memória coletiva. Os relatos dos nossos heróis resistentes foram enfurnados em buracos escuros e bolorentos de bibliotecas e cartórios.

Quando a consciência vai aflorando nas gentes, de fora fabricam um herói comandado por titereiros, para fazer um justiçamento em seu próprio solo pátrio, destruindo toda possibilidade do povo se erguer e dizer não. Esse não, esse basta, fica recolhido na garganta que volta a engolir o fel da humilhação.

E o viver do povo segue recolhendo migalhas, de joelhos no chão e ainda adorando o Baal rico e mofino, coberto de ouro que lhe impuseram como herói. Esse herói da sarjeta que traz nas mãos a corda que lhe deu seu senhor, para enforcar seus próprios irmãos.

Até quando?

Quando o povo humilhado, esfarrapado e faminto vai entender que o direito de viver não se mendiga, toma-se.

* Via e-mail. Solange Rodrigues, é Professora, Jornalista, Escritora e Coordenadora de Filosofia do IDEA, Unitevê, Canal Universitário de Niterói – Universidade Federal Fluminense.