15.8.17

MULHERES SOFREM MAIS EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO BENZENO DO QUE OS HOMENS

Via FENEPOSPETRO -

O benzeno é absorvido mais rapidamente pela gordura e as mulheres têm 11% a mais de lipídeos no corpo do que os homens.


Apesar de estudos comprovarem que a contaminação pelo benzeno é mais agressiva para a mulher, a Lei 13.467 da Reforma Trabalhista libera a gestante ou lactante para laborar em ambiente periculoso e insalubre, mediante ao atestado de um médico da empresa. Para o consultor jurídico da Federação Nacional dos Frentistas (FENEPOSPETRO), Hélio Gherardi, a proposta é tão absurda que o próprio governo já admite editar uma Medida Provisória para corrigir o art. 394 da lei. Ele lembra, no entanto, que de concreto, hoje, os sindicatos têm apenas a lei que vai afetar diretamente as trabalhadoras de postos de combustíveis.

Pesquisas mostram que por ter até 11% a mais de gordura do que o homem, a mulher está mais exposta ao benzeno, já que o produto tóxico é lipossolúvel e dissolve mais rápido com a gordura. Além de afetar a fertilidade, o feto também sofre exposição ao benzeno, já que a placenta não o protege contra os efeitos do produto tóxico.

CONTAMINAÇÃO - A respiração é a principal via de contaminação pelo benzeno e, por consequência, a parte mais afetada é a pulmonar e respiratória. A absorção ocorre principalmente, pela respiração, o que torna difícil a prevenção. Apenas 1% do benzeno contido no ar é absorvido pela pele.

Segundo a médica do trabalho Daise Gardin, a contaminação se dá também através da ingestão, principalmente, se o trabalhador tem o hábito de fumar, comer e beber nas dependências do posto de combustível, onde não faltam fontes de contaminação pelo benzeno.

A médica esclarece que o bebê contaminado pelo benzeno apresenta alterações ósseas, baixo peso e problema na medula óssea. Ela orienta que por precaução, o ideal seria que a mulher se afastasse da bomba de combustível antes de engravidar.

ESTUDOS - Os primeiros trabalhos científicos sobre o risco do benzeno para saúde surgiram em 1897. Naquela época, os trabalhos mostravam que a exposição crônica ao benzeno provocava alterações na medula óssea. Estudos comprovam que durante a vida laboral de mil pessoas expostas ao benzeno, três vão desenvolver leucemia. A exposição ao benzeno por 40 anos, num grupo de mil pessoas, treze vão desenvolver câncer.

O corpo jurídico da FENEPOSPETRO elabora uma minuta para esclarecer aos dirigentes dos sindicatos sobre as questões que já foram esmiuçadas pelos advogados. Segundo o departamento jurídico, só quando a lei entrar em vigor, em novembro, é que as entidades terão como avaliar, na prática, as consequências da reforma no que se refere à saúde do trabalhador.

* Estefania de Castro, assessoria de imprensa Fenepospetro