14.8.17

TRUMP AMEAÇA A VENEZUELA FAZENDO O JOGO SOLICITADO PELA OPOSIÇÃO GOLPISTA

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Donald Trump comporta-se cada vez mais de forma agressiva com o mundo, em sua arrogância só. A última do presidente estadunidense foi ameaçar a Venezuela com uma intervenção militar, como querem oposicionistas que pregam abertamente a derrubada do presidente constitucional Nicolas Maduro. Políticos vinculados a grupos de direita e aos Estados Unidos, como Freddy Guevara já se pronunciaram nesse sentido e até pregaram a repetição do golpe ocorrido no Chile em 11 de setembro de 1973 que instalou um regime sanguinário chefiado pelo assassino general Augusto Pinochet.

Em linguagem mais do que arrogante, o dirigente estadunidense usa linguagem agressiva e confirma que ao ameaçar está atendendo pedido feito pela oposição venezuelana que já sugeriu o que Trump ameaçou.

Por sinal, dos Estados Unidos veio um ex-militar, Juan Caguaripano, que vive em Miami, por ter desertado, e tentou junto com outras figuras a soldo da oposição a Maduro sublevar uma unidade militar, mas foram repelidos. Ficou claro que o líder do grupo vindo de Miami tentou derrubar o governo constitucional e instalar no poder outro composto de apoiadores incondicionais de qualquer governo estadunidense.

O vômito de Trump, a expressão é essa mesmo, deixa claro que o presidente dos Estados Unidos não vai medir esforços no sentido de alcançar o objetivo, que com a derrubada de Maduro é ter acesso fácil ao petróleo venezuelano, que o arrogante ocupante da Casa Branca almeja juntamente com outras figuras abjetas que circulam no Congresso norte-americano e mesmo ao redor da Casa Branca.

É preciso estar atento e pressionar governos subservientes aos interesses estadunidenses, como o de Michel Temer, para evitar que se repita a história trágica da República Dominicana quando em plena ditadura empresarial militar o Brasil mandou tropas para apoiar a intervenção norte-americana naquele país. Na ocasião exercia o governo de fato o ditador Humberto de Alencar Castelo Branco, que fazia de tudo para agradar o então presidente Lyndon Johnson que o ajudou no golpe que derrubou o presidente constitucional João Goulart.

Temer também é produto de um golpe, mas de outro tipo, parlamentar, midiático e judicial, desta vez sem a participação direta dos militares, mas com o apoio também do Departamento de Estado norte-americano. Pelo que se conhece de Temer, ele é capaz de fazer de tudo e muito mais para agradar o aliado a quem deve a ascensão a um cargo que jamais alcançaria em uma eleição presidencial direta.

Como subserviente que é não seria nenhuma surpresa se decidisse dar respaldo a uma intervenção estadunidense na Venezuela. Todo cuidado é pouco, sobretudo depois que o putrefato ocupante ilegítimo do Palácio do Planalto abriu caminho autorizando que tropas estadunidenses, colombianas, peruanas e brasileiras fizessem manobras conjuntas na Região Amazônica, não muito distante da fronteira com a Venezuela.

Além disso, o governo ilegítimo do Brasil tem se pronunciado quase diariamente, seja através do putrefato Temer ou de seu ministro do Exterior, Aloysio Nunes Ferreira, contra a Venezuela, dando total apoio aos oposicionistas de lá, demonstrando também disposição de apoiar qualquer tentativa de derrubada do governo constitucional.

Por estas e muitas outras, claro que todo cuidado é pouco, não bastando apenas prestar solidariedade a um governo constitucional que não se dobra aos interesses estadunidenses. No fundo, o Departamento de Estado norte-americano quer que na Venezuela ascenda um governo nos moldes de Michel Temer, para que o petróleo fique sob o controle de empresas dos Estados Unidos.

Em suma, como alerta o ex-Ministro do Exterior e da Defesa, Celso Amorim "ameaça de uso da força tem que ser repudiada com veemência. Além de violar princípios básicos do direito internacional, ameaça trazer uma guerra civil (um novo Vietnã) para a América do Sul e na nossa fronteira. Embora não tenha dúvida sobre quem será vitorioso e quem será derrotado, uma guerra civil trará sofrimentos indizíveis ao povo venezuelano. Não podemos ficar indiferentes diante da agressão e da tragédia".

* Via blog Jornal da ABI. Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV., transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF).