13.9.17

A VIA CRUCIS DA POPULAÇÃO NEGRA, POBRE E FAVELADA. POLÍCIA QUE MAIS MATA É TAMBÉM A QUE MAIS MORRE

RUMBA GABRIEL -


Em março de 2017, logo após a morte da adolescente Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos de idade, dentro do Colégio Daniel Pizza em Acari, o Movimento Popular de Favelas, reuniu-se não só para pedir explicações, mas também exigir punições e o término das matanças da nossa gente.

A história não mente, muito pelo contrário, nos mostra a caminhada pela via Crucis na qual se encontra a população negra, pobre, favelada. Números e percentuais, as estatísticas vão nos mostrando a cada dia o projeto de extermínio em que estão submetidos esta população.

Chegamos ao gabinete do presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, a fim de solicitar uma Audiência Pública por ainda acreditar que esta Egrégia Casa, nos trará alguma solução.

Naquela oportunidade, também nos preocupava o número de policiais mortos, naquele momento, 45, os civis, já passavam de 200. Uma guerra absurda em que só aumenta o número de mortos da nossa classe social. Isto por que os policiais que morrem em sua maioria são praças os quais também saem do seio das nossas favelas. Portanto, dois grupos que sofrem juntos com esta proposta de confrontos e de guerra as drogas regida pelo sistema de segurança pública e sem nenhuma previsão lógica de mudança comportamental. Tanto da União, quanto o Estado. Assim vivemos diante de uma polícia que mais mata e a que mais morre. Desta forma, perdemos todos nós.

Na ocasião, também marcamos uma ida à Secretaria de Segurança Pública, onde esteve presente o Comandante Geral da Polícia Militar. Debatemos sobre o assunto, fizemos denúncias, nos mostramos solícitos para possíveis parcerias e fizemos propostas. Trocamos e-mails, zaps, números de telefones. Ficamos aguardando o retorno para encaminhamentos. O que restou de tudo isso, foi um grande vazio e nenhuma solução. A Audiência Pública está acontecendo depois de cinco meses e com um resultado mais alarmante ainda, pois hoje se somam 101 policiais mortos e mais de 600 civis sepultados. Mais uma vez choramos juntos: de um lado as famílias dos policiais e do outro as famílias dos descredenciados favelados.

Um fato que nos preocupa e acreditamos ser parte deste vazio na comunicação entre os setores de seguranças e lideranças, é a falta de credibilidade unida ao preconceito de que lideranças que tratam desse assunto são suspeitas de ligações com o tráfico, o que nos deixa mais preocupados. Sabemos como ninguém a realidade dos fatos, muitos sobrevivem impunemente deste estado de coisas, basta ver os seus salários e comparar com os seus patrimônios.