29.9.17

ATO PELA VIDA DAS MULHERES LOTA CENTRO DO RIO EM DEFESA DO DIREITO AO ABORTO [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2017.  Bem que poderíamos estar falando sobre o século XIX diante de tantos retrocessos e da insensibilidade do poder público para com questões simples como interrupção de gravidez mas os dias atuais se mostram sombrios.

Na marcha realizada, que envolveu uma multidão por diversas ruas do centro do Rio, a pauta defendida por mulheres e movimentos sociais presentes era clara, a legalização do aborto.

Segundo dados levantados nos últimos anos, cerca de 200 mil mulheres sofrem complicações devido à clandestinidade – e por consequência a falta de estrutura adequada – dos procedimentos de interrupção de gravidez.  Em outra estatística do ano passado, cerca de 4 mulheres perdem a vida diariamente devido às mesmas complicações. 

A não legalização do aborto não se mostrou historicamente capaz de impedir a prática, apenas condena mulheres à dor, sofrimento e morte em clínicas clandestinas – diferentemente de pessoas de alto padrão socioeconômico, que igualmente realizam o procedimento clandestinamente mas com toda a segurança. O que fica mais e mais evidenciado é a fragilidade à qual as mulheres mais pobres são submetidas devido à uma proibição que não protege a criança, mas penaliza mulheres e famílias inteiras.

Ao final do ato, marcado por palavras de ordem, manifestações “top less” por parte de algumas manifestantes e instrumentos de percussão, eis que a falta de civilidade de um indivíduo é exposta em plena praça pública. Um indivíduo visivelmente muito alcoolizado – “pudim de cana” no popular – iniciou uma série de ofensas e declarações antagônicas à manifestação, se recusando a deixar o local após ser convidado a se retirar.  Ele acabou sendo retirado do local pela polícia Militar, sendo que o policial teve de segurá-lo pelas calças para evitar que o mesmo tombasse devido à embriaguez.