23.9.17

CONFRONTOS CONTÍNUOS NA ROCINHA ATERRORIZAM POPULAÇÃO E INTERVENÇÃO DO EXÉRCITO NÃO DÁ RESULTADOS NOVAMENTE [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


Após dias de confronto entre criminosos na favela da Rocinha, em São Conrado, Rio de Janeiro, forças do estado realizaram operações na região. A princípio, as ações eram realizadas somente pelas polícias civil e militar, o que resultou em mortes, prisões e apreensões relatadas a seguir em uma “nota-resumo” enviada à imprensa:

“Resumo das ações da 11ª DP em conjunto com a PM na Favela da Rocinha entre o período de 17/09 até a presente data.

As ações realizadas por policiais da 11ª DP (Rocinha), em conjunto com policiais militares da UPP da Rocinha, durante os dias 17 a 22 deste mês, resultaram na prisão de três pessoas, identificadas como Edson Gomes Ferreira, Wilklen Nobre Barcellos e Fabio Ribeiro França, e um cumprimento de mandado de prisão, já custodiado em penitenciária federal, contra Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem.

Houve quatro mortos. Thiago Fernandes Da Silva , e três corpos ainda não identificados, sendo que dois deles foram encontrados carbonizados. Seis pessoas ficaram feridas e foram socorridas e encaminhados para o hospital da região.

Segue a lista do material apreendido:

2 Pistolas Com Kit Rajada
2 Pistolas Simples
2 Fuzis
94 Munições
8 Carregadores
5 Granadas
9 Carros Apreendidos
1 Galão Com Meio Litro De Combustível
1 Rádio Comunicador Com Dois Carregadores
5003 Embalagens De Drogas Diversas
12 Talões De Cheque
84 Folhas De Cheque
8 Máquinas De Cartão De Crédito
1 Notebook
1 Impressora
1 Gabinete De Computador Contendo Um Hd
3 Maquinas “Chupa Cabra”
600 Cartões Em Branco
Material De Falsificação De Cartão
85 Cartões Bancários
21 Máquinas De Caça Niquel
30 Pen Drives”


Apesar de a comunicação oficial relatar apenas quatro mortos, rumores entre alguns moradores na região levam à suspeita de mais mortos na parte mais alta da favela e próximo à parte de mata fechada onde alguns criminosos estariam escondidos.

Na data de hoje no entanto, as forças armadas foram mobilizadas para atuar no confronto da Rocinha, porém não obtiveram êxito em grandes apreensões ou detenções durante a ação. O que se viu no entanto, segundo relatos de alguns moradores, foram soldados assustados diante de sons de fogos de artifício e um vídeo que circula nas redes sociais supostamente gravado por um morador da Rocinha durante patrulhamento do Exército na região que mostra um soldado caindo por cima de seu fuzil.

Ao cair da noite, o delegado da 11ª DP conversou com a imprensa primeiro informalmente, onde disse que sua equipe estaria trabalhando em tempo integral para resolver a situação na Rocinha. Já em entrevista oficial, declarou estarem buscando mandados de busca e apreensão coletivos para amparar legalmente ações nos próximos dias e pediu que os procurados se entregassem à polícia.

O que mais espanta é a infindável repetição de ações já sabidamente ineficazes pois não buscam impedir o fluxo no “atacado”, mas focam ações de guerra apenas em locais de “varejo” que são densamente povoadas por pessoas inocentes que quase sempre são os mais atingidos direta ou indiretamente.

Desde o início dos confrontos na Rocinha, milhares de estudantes perderam aulas e alguns perderam provas da UERJ como amplamente noticiado. Trabalhadores não conseguem ter seu direito de ir e vir garantido pelo estado que, quando resolve intervir, apenas adiciona maior volatilidade à situação.

Pobre Rio de Janeiro.