22.9.17

O NARCOTRÁFICO TEM ALTERNATIVAS PARA AUMENTAR O LUCRO

ALCYR CAVALCANTI -


O narcotráfico há tempos controla tudo na maior parte das favelas do Rio de Janeiro, desde a venda do botijão de gás, à distribuição de bebidas. a TV a cabo (gatonet), a cobrança de  uma taxa ao comércio legalizado e até a entrada e saída de qualquer pessoa estranha na favela. Em uma determinada época a contravenção também pagava um "imposto" ao chefe do tráfico para os apontadores poderem atuar em liberdade e principalmente na instalação das máquinas caça níqueis. A influência também é exercida em época de eleições seja em associações de moradores seja nas eleições reguladas pelo TSE para permitir o livre transito de candidatos.

A velha tática de possuir e poder se instalar em muitas casas também é um artifício para evitar a localização quando em incursões policiais e também servir ao "dono do morro" é uma atitude favorável que pode render dividendos. De qualquer forma é uma forma de associação ao tráfico, embora de maneira bem light, visto que a delação é crime imperdoável nos rígidos códigos de procedimento e de sobrevivência.

A distribuição do botijão de gás sempre foi motivo de discórdias. Foi controlado durante uma época por Fábio Lucas da Conceição, o Fábio doGás, que desapareceu misteriosamente e nunca mais foi encontrado. A distribuição do gás ficou então com Gonçalo Valdemar Evangelista o Valdemar do Gás, morador da região conhecida como Vila Verde e pessoa muito querida na área, até por ter feito muitas melhorias na Vila Verde. Valdemar foi vice presidente da UPMMR, associação de moradores na chapa com Claudinho da R1 que depois seria eleito vereador. Valdemar foi vítima de um sequestro em 2007, mas logo foi liberado e disse não ter sido torturado. Uma das regras para o comércio local são as relações de boa vizinhança com os eventuais "donos do morro". Não só esta regra como algumas outras são necessárias para poder atuar em qualquer negócio. Afinal o "olho que tudo vê" tem tudo sob controle.

Por isso não deve causar espanto, até por não ser nenhuma novidade o rastreamento que o bando de Rogério 157 tem feito em possíveis colaboradores de Nem. É apenas uma questão de sobrevivência no lado escuro e selvagem das mais de 950 favelas na bela e caótica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro para mostrar aos mais de 120 mil  moradores quem afinal é o "dono do morro".